Por 17 dias, crise econômica deve ser esquecida

Jogos vão movimentar economia britânica, mas não devem evitar que ano termine em recessão

ADRIANA CARRANCA, ENVIADA ESPECIAL/LONDRES, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2012 | 03h03

Com a proximidade da abertura dos Jogos de 2012, Londres se rendeu definitivamente ao espírito olímpico. Pelos próximos 17 dias, os britânicos devem esquecer a economia em recessão, a crise dos bancos, o escândalo dos tabloides, para se tornar de novo a capital do mundo.

"É hora de mostrar ao mundo o que podemos fazer", disse ontem um empolgado David Cameron, o primeiro-ministro britânico, em visita ao Parque Olímpico. "Terminamos as obras dentro do prazo, no orçamento previsto e no melhor estilo. Sim, nós podemos!", afirmou.

Não bastasse a crise, os problemas no transporte público, a gafe com a Coreia do Norte, Cameron ainda teve de lidar com a falta de diplomacia do candidato a presidência dos EUA, Mitt Romney, que em visita a Londres, ontem questionou se o país está preparado para os Jogos.

"Estes não são os Jogos de Londres, mas da Grã-Bretanha. Somos um país incrível, com coisas fantásticas a oferecer. É um grande momento para nós", respondeu Cameron. "Estamos enfrentando dificuldades econômicas, mas olhe para o que somos capazes de fazer como nação, mesmo em tempos difíceis."

O primeiro-ministro tenta buscar no ambiente olímpico algum alento - além de novos investimentos para o país. Segundo o banco Goldman Sachs, os Jogos, de fato, terão um impacto positivo na economia local. Apenas o consumo será incrementado em 700 milhões de libras durante o evento. Mas o banco admite que, por mais que o resultado seja positivo, não será suficiente para evitar uma recessão.

Cameron afirmou que Londres está pronta para viver "dias marcantes". Mas, por precaução, disse manter "os dedos cruzados" para que tudo dê certo, "do clima ao transporte e à infraestrutura".

Pelo menos em relação ao clima, o premiê tem tido sorte. Ontem, em mais uma tarde de céu azul e temperatura alta, londrinos e turistas lotaram as ruas. Carregavam a bandeira do país nas roupas, acessórios, cartazes; ontem Londres se vestiu de azul, vermelho e branco.

Tocha. No último trajeto antes de chegar ao Parque Olímpico para inaugurar os Jogos, a tocha passou pelo Parlamento, em Downing Street, o Palácio de Buckingham, onde foi recebida pelo príncipe William e sua mulher, Kate, duquesa de Cambridge. Passou também pelo estádio de White City, sede da Olimpíada de 1908. Foi acompanhada por milhares de pessoas.

Ao atravessar a Trafalgar Square, o relógio que marca a contagem regressiva para os Jogos apontava: 1 dia e 55 minutos. O sol se pôs durante um show que reuniu mais de 80 mil pessoas no Hyde Park, depois de a tocha olímpica cruzar os principais pontos da cidade. Pelo menos por alguns dias, a sisudez dará lugar à celebração.

Se tudo der certo, os Jogos podem restabelecer a autoestima que a população vem perdendo com a crise, e o velho orgulho britânico poderá voltar a reinar. Pelo menos, por uns dias. / A.C.

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