Por falta de vítima, caso do gás no Palestra é arquivado

Único a fazer exames foi o técnico Muricy e nada foi constatado; investigação desagrada ao São Paulo

Anelso Paixão, O Estadao de S.Paulo

27 de março de 2009 | 00h00

A confusão que marcou a semifinal do Campeonato Paulista entre Palmeiras e São Paulo, no Estádio Palestra Itália, no dia 20 de abril do ano passado, acabou arquivada na Justiça Criminal por um detalhe curioso: falta de vítima. Se na esfera esportiva o Palmeiras pegou um jogo de suspensão, já cumprido na segunda rodada do Estadual deste ano, e pagou R$ 10 mil de multa, na criminal o clube está completamente limpo.O São Paulo, obviamente, reclamou da decisão. Todos no clube temiam que o polêmico caso do gás pimenta no vestiário terminasse em pizza. E, na opinião deles, foi o que ocorreu.O delegado titular do 23º DP, Mauro Marcelo de Lima e Silva, explica que a decisão da Justiça se baseou unicamente em laudos científicos. "Eu fui pessoalmente com dois peritos ao local e observamos os detalhes. O mais importante, sem dúvida, é que o vestiário dos visitantes é grande e, para se conseguir preencher todo o espaço de 2 mil metros cúbicos, seria necessário que alguém ficasse espargindo gás durante muito tempo."De acordo com o delegado, "seria impossível uma pessoa ficar fazendo esse trabalho por vários minutos em um estádio lotado e não ser vista por pelo menos três mil pessoas". Além disso, o delegado explica que as imagens fornecidas pelo próprio São Paulo mostram o técnico Muricy Ramalho subindo as escadas de volta ao campo sem nenhuma proteção nos olhos. "Um massagista aparece gritando para os jogadores cobrirem a cabeça. O Muricy também só começa a passar mal quando chega ao campo. São reações impossíveis no caso de uma grande quantidade de gás pimenta no vestiário."Para completar o que o delegado considerou uma sucessão de equívocos, a única vítima no caso foi Muricy Ramalho, que passou por exame de corpo de delito e de sangue. "Em ambos, nada foi encontrado", explica Mauro Marcelo.Assim, como o caso era de risco de vida, a ausência de vítima levou os responsáveis pela investigação a encaminharem à promotoria um relatório recomendando o arquivamento do caso. A promotoria concordou e encaminhou ao juiz, que acompanhou a decisão."Não era um processo por uso de gás tóxico ou gás asfixiante, já que o gás pimenta é considerado apenas irritante. Assim, com a ausência de uma vítima, nada mais poderia ser feito", explica o delegado, que, para evitar maiores polêmicas, preferiu deixar o caso sob o comando da delegada Renata Corrêa. Motivo: Mauro Marcelo é palmeirense e até já fez parte há cinco anos de um movimento contra a administração de Mustafá Contursi.

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