Por gratidão, cestas de Deng são britânicas

As perspectivas da seleção britânica de basquete nos Jogos Olímpicos não são das mais animadoras. Não se morre de amores por cestas no Reino Unido. A última vez em que a Grã-Bretanha participou do torneio olímpico de basquete foi em 1948, por ser país-sede e só venceu uma partida. Desta vez, a Federação Internacional de Basquete (Fiba) não confirmou de imediato a vaga ao país-sede. Primeiro, exigiu que os britânicos disputassem a Série B do Eurobasket. E eles foram aprovados. Devem muito desse sucesso a Luol Deng, um sudanês de origem, agora com cidadania britânica, que tem no currículo oito temporadas na NBA com a camisa do Chicago Bulls.

ALESSANDRO LUCCHETTI , ENVIADO ESPECIAL/ LONDRES, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2012 | 03h07

Mas por qual motivo Deng, jogador favorito de Barack Obama, iria se juntar a atletas quase amadores ou universitários, e se expor ao risco de derrotas acachapantes? Por gratidão. Quando era criança, a família dele se viu no meio do fogo cruzado da guerra civil e logo todos se mudaram para o Egito.

Depois, a família pediu asilo a Grã-Bretanha, que o concedeu quando Luol tinha dez anos. Os Deng foram morar no sul de Londres, em Brixton. Não demorou muito para o garoto encontrar uma quadra. Foi Manute Bol, sudanês que jogou uma década na NBA e que morreu em 2010, aos 47 anos, que o descobriu e lhe passou algumas técnicas.

Deng cresceu, e muito, Chegou aos 2,06m, e defendeu o Brixton Topcats na incipiente Liga Britânica, antes de ir estudar na Universidade de Duke, plataforma que o alçou à NBA.

Ontem, em Manchester, os Estados Unidos de LeBron James e Kobe Bryant, como era esperado, massacraram os britânicos por 118 a 78. Deng contribuiu com 25 pontos, além de muito suor, para honrar o país que o acolheu. Motivado, ele aposta até em pódio. "Ficaremos desapontados se não chegarmos à luta pelas medalhas", afirmou.

A Grã-Bretanha está no Grupo do Brasil, o B. As duas equipes se enfrentam no dia 31.

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