Por mais bola

Então o Corinthians vence apenas duas de nove partidas e continua líder? Os polianas que me desculpem, mas isso não mostra o equilíbrio do campeonato, "não existem mais bobos no futebol", etc. Mostra que nenhum time está jogando futebol o consistente bastante para convencer de que merece ser o campeão. Sim, aqui não é como na Espanha, onde praticamente só existem dois candidatos ao título, tal sua superioridade financeira e técnica, o Barcelona e o Real Madrid; mas a verdade é que não temos nenhum Barcelona ou Real Madrid - longe, muito longe disso. E nenhum exemplo melhor do que o do campeão simbólico do primeiro turno, o Corinthians, com apenas 37 pontos em 19 jogos.

Daniel Piza, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2011 | 00h00

As estatísticas das quatro últimas rodadas não precisam ser levadas tão a sério, pois dizem que o Atlético Goianiense foi o melhor time; é curioso, porém, ver que os três ocupantes do topo da tabela, Corinthians, Flamengo e São Paulo, tiveram aproveitamento tão baixo. Por mais fatores conjunturais, como desfalques ou mesmo circunstâncias de jogo (expulsões, por exemplo), o que pesa mesmo é a carência de boas equipes coesas, que justamente não caem tanto de padrão quando sofrem uma ausência ou outra. Chega a ser divertido ouvir explicações como a de que o Corinthians estava sentindo falta de Liedson e, logo depois, com o camisa 9 de volta, o time continuar a jogar de forma opaca, Liedson sem acertar o gol (ele que fez apenas seis até agora).

Por falar em acertar o gol, e novamente ao contrário do que acontece nos principais campeonatos europeus, o artilheiro do Brasileiro no momento é Borges, com 12 gols, seguido por Montillo e Ronaldinho Gaúcho, com 10 gols, ou seja, médias muito baixas segundo qualquer critério. Aqui deve estar uma das chaves para o nível técnico medíocre, já que o Brasil sempre foi rico em artilheiros. Talvez Luís Fabiano no São Paulo e Adriano no Corinthians possam mudar um pouco esse panorama, mas haja otimismo. Prefiro registrar com mais satisfação as boas fases de Leandro Damião no Internacional e da revelação Elkeson no Botafogo, ambos com 8 gols no momento. E celebrar gols de outros jovens como os que Lucas e Ganso fizeram no clássico entre São Paulo e Santos no domingo - dois gols que exigiram qualidade técnica, física e tática.

Por enquanto vamos vivendo assim, de lances isolados, e por isso também não me atrevo a dar palpite sobre quem vai ganhar o título deste ano. Dados como o de que na maioria dos campeonatos por pontos corridos o vencedor do primeiro turno foi o do segundo turno não dizem muita coisa, ou dizem apenas sobre o passado. No presente, o que temos são até oito clubes em condição de avançar na tabela. O Palmeiras está em sexto e acaba de bater o Corinthians. Cruzeiro e Internacional têm bons elencos, não apenas Montillo e Damião. O Botafogo tem juventude, o Vasco experiência. Nada pode garantir que os dez pontos que separam o líder e o oitavo lugar não possam ser superados em mais 19 rodadas, ou seja, em mais 57 pontos por disputar.

Isso fica ainda mais claro quando pensamos nas fragilidades dos líderes, não apenas nos atributos dos demais candidatos ao título. O Corinthians está carente de laterais e ainda não conseguiu uma regularidade criativa no meio, nem com Danilo nem com Alex nem com os dois juntos. O Flamengo tem dois jogadores de melhor nível técnico, Ronaldinho e Thiago Neves, mas ainda sofre na defesa e Deivid perde gols incríveis. Já o São Paulo começou a melhorar atrás e tem jogadores em boa fase, como Lucas e Dagoberto, alguns jovens em ponto de explodir e um potencial de variações táticas ainda pouco explorado; dos três, talvez seja o que ainda não jogou o que pode jogar. Fica a torcida de que no segundo turno haja, não menos embolamento, e sim mais bola!

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