Satiro Sodré/Divulgação
Satiro Sodré/Divulgação

Por medalhas, brasileiras apertam o ritmo das braçadas

Conquistas nas maratonas aquáticas incentivam as nadadoras por resultados positivos também nas piscinas

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

12 de janeiro de 2014 | 04h49

SÃO PAULO - A natação feminina do Brasil ainda busca seu lugar ao sol. Ao contrário dos homens, que já conquistaram pódios mundiais e olímpicos, as mulheres tentam apertar o ritmo das braçadas para alcançar a primeira medalha em uma grande competição. Enquanto isso não acontece, o incentivo vem do mar, com os triunfos nas maratonas.

 

Poliana Okimoto e Ana Marcela Cunha são estrelas das provas em águas abertas – foram campeã e vice, respectivamente, nos 10 km do Mundial de Barcelona, em 2013. Mas elas também nadam na piscina, defendendo seus clubes (Minas e Sesi, respectivamente), e são um ponto de apoio para a nova geração, que está sendo preparada para os Jogos do Rio, em 2016.

 

A opinião é de Fernando Vanzella, que se tornou técnico da seleção brasileira há um ano. Até o fim de 2012, não havia uma divisão entre mulheres e homens na equipe nacional. Hoje, as garotas têm um trabalho específico na parte médica e na técnica (como em análises biomecânicas), além de planejamento de treinos e competições separado dos homens, que estão em outro nível.

 

"Apesar de eu só cuidar das piscinas, temos uma menina campeã e outra vice-campeã mundial nas maratonas. Esses resultados conquistados pela Poliana e pela Ana Marcela são um forte aliado", avalia ele. "É um modelo de poder. Traz o aspecto psicológico de se poder acreditar, de uma mulher ter tido sucesso, de ter chegado lá. Isso contribui bastante."

 

Dias após a prova dos 10 km da maratona aquática, a pernambucana Etiene Medeiros conquistou o melhor resultado feminino nas piscinas em um Mundial. A nadadora de 22 anos chegou em quarto lugar nos 50 m costas (prova que não é olímpica), melhorando seu tempo em relação à semifinal. Antes dela, Gabriella Silva era quem tinha chegado mais longe, com a quinta colocação nos 100 m borboleta em Roma-2009. "Claro, é difícil de medir isso, mas a Etiene viu a final do 10 km, viu o que aconteceu, e com certeza houve uma contribuição. E ela treina com a Ana Marcela (são do mesmo clube), que já lhe deu muitas orientações."

 

Ao fim das principais competições da temporada de 2013 (Mundial de Barcelona e Mundial Júnior, em Dubai), Etiene figurou com a única brasileira no top 10 da natação mundial. O número é tímido – Vanzella, aliás, admite que é pouco –, mas já representa um avanço. Afinal, em 2012, com a disputa da Olimpíada de Londres, nenhuma atleta do País ficou entre as dez melhores do mundo.

 

A evolução na natação feminina é lenta, mas vem acontecendo. É o que indica um levantamento feito pelo técnico e repassado ao Estado, que compara as duas últimas temporadas após os principais torneios. A participação brasileira aumentou em número de provas em todas as faixas do ranking até a 250ª posição. Em 86 eventos as brasileiras conseguiram ficar entre as 250 do mundo – em 2012, foram 54. No top 50, o número subiu de dez para 12. Nessa faixa, aparecem nomes como Graciele Hermann e Alessandra Marchioro (nos 50 m livre), Beatriz Travalon (50 m peito) e Daynara de Paula (50 m e 100 m borboleta).

 

Vanzella afirma que 2014 será um ano de preparação. Serão pelo menos três competições importantes – o Pan-Pacífico, os Jogos Sul-Americanos e o Mundial de piscina curta –, com o foco no Mundial de 2015, em Kazan (Rússia). Mas o técnico se mostra otimista com o ritmo da evolução. "Se nós tivermos alguma menina brigando por medalha no Pan-Pacífico, talvez possamos sonhar com uma medalha em 2015." 

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