Alexandre Urch/MPIX/CPB
Alexandre Urch/MPIX/CPB

Nadadora supera efeitos da quimioterapia para ir ao Mundial Paralímpico

Raquel Viel foi diagnosticada com câncer de mama após a Paralimpíada do Rio

Nathalia Garcia, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2017 | 07h00

Tudo pronto para a disputa final dos 100 metros costas, um detalhe chamava atenção para Raquel Viel na raia 4 da piscina do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo. Com aval da organização, nadou sem touca para cumprir uma promessa. A atleta, que luta contra o câncer de mama há seis meses, se classificou na véspera ao Mundial Paralímpico de Natação. "Ter feito o índice foi como se tivesse ganhado um ouro na Paralimpíada", festejou.

Com apenas 10% da visão, Raquel soube da classificação pela colega Mariana Gesteira, que nadava na raia ao lado. O longo abraço veio carregado de significado. Após os Jogos Paralímpicos do Rio, Raquel foi diagnosticada com um tumor na mama esquerda e deu início ao tratamento de quimioterapia. Apesar dos médicos apontarem que seria muito difícil ela continuar no alto rendimento, a nadadora de 34 anos não sucumbiu e manteve sua rotina no esporte paralímpico.

"Foi muito difícil, perdi toda a parte aeróbica de treinamento que eu tinha. A quimioterapia me deixava muito cansada, sentia enjoo, tinha dia que ia para o treino e já estava cansada no aquecimento, tinha falta de ar e chegava a ficar com dor muscular de tanto tentar respirar durante o treino. A imunidade caiu, precisa tomar algumas vacinas e dava muita dor nas costas", conta.

No início, fazia um ciclo de quatro sessões de quimioterapia a cada 21 dias e, com o passar do tempo, o tratamento se intensificou para um ciclo de 12 sessões semanais. Domingo passou a ser um dia de repouso total em Vinhedo para que estivesse pronta para a atividade na tarde de segunda-feira, em Indaiatuba. "Consegui manter o treinamento de segunda a sábado, só não conseguia mais fazer as dobras. Ultimamente estava fazendo seis treinos na semana", explica.

Em breve, a pausa será total. Terminado o tratamento de quimioterapia, Raquel será submetida à cirurgia de quadrante - retirada de parte da mama comprometida, oferecida a mulheres com tumores pequenos. Seu retorno à natação vai depender do tempo exigido para recuperação.

O apoio da família e do técnico ajudam Raquel a lutar pela vida. "Perdi minha mãe com câncer, ela sofreu bastante na quimioterapia e ficou aquela imagem dela no tratamento. Foi muito difícil no começo", lamenta. A nadadora tinha 13 anos quando se despediu da mãe e com sua doença as lembranças voltaram à tona. Aceitar a queda dos cabelos foi um dos desafios.

Foi a mãe que colocou Raquel na natação por acreditar que a atividade ajudaria no desenvolvimento da filha de 9 anos, que nasceu deficiente visual (congênito). Somente em 2008 ela passou a treinar profissionalmente, aconselhada durante uma competição por um técnico que trabalhava com atletas deficientes. 

Hoje a natação é também uma terapia para Raquel e ela não quer ficar muito tempo longe das piscinas. "Tive de procurar algo para tornar o tratamento um pouco mais fácil. Espero me recuperar o mais rápido possível da cirurgia para poder treinar para o Mundial." A competição será entre 30 de setembro e 6 de outubro, na Cidade do México.

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