Por ordem de Fidel, cubanos deixam o Rio e voltam para o país

Em meio a muita confusão, cerca de 240 atletas abandonam a Vila Pan-Americana em seis ônibus

Agência Estado e Reuters,

28 de julho de 2007 | 23h31

A deserção de jogadores de Cuba ao longo do Pan-Americano deixou o clima conturbado na noite deste sábado. Com medo de novos abandonos, Fidel Castro ordenou que todos os atletas retornassem imediatamente para o país.  A delegação rompeu o protocolo dos jogos e estará ausente da cerimônia de encerramento do evento, assim como esteve de fora da entrega de medalhas do vôlei masculino, no sábado.   Veja também:  O quadro de medalhasOs detalhes das modalidades em disputa   Fontes de Cuba e do comitê organizador disseram à Reuters que a delegação recebeu ordem do governo da ilha para partir mais cedo alegando "questões de segurança". Um jornalista da Reuters no Aeroporto Internacional do Rio viu um grande número de atletas da delegação cubana, incluindo os jogadores da seleção de vôlei no momento em que eles deveriam estar recebendo a medalha de bronze.   Quase todos os integrantes da delegação estavam prestes a embarcar no avião que os levaria de volta à ilha. Apenas dirigentes e poucos esportistas ficariam no Brasil para o último dia de disputa, no domingo, disse à Reuters Raúl Tiago, presidente da federação cubana de vôlei.   Mais cedo, fontes de Cuba e do comitê organizador disseram que os cubanos temiam mais deserções no final dos Jogos. Assim que acabou a partida com a Venezuela que decidiu o bronze a favor dos cubanos, o técnico Orlando Samuel explicou aos organizadores que sua equipe deveria pegar um avião e que não poderia esperar a entrega das medalhas.   Cuba e Brasil disputaram o segundo lugar do quadro de medalhas do Pan-Americano. No final da noite de sábado, Cuba tinha vantagem de oito ouros, 59 a 51.   O chefe de imprensa dos cubanos tentou minimizar a partida antecipada da delegação e colocou a culpa na crise vivida pela aviação brasileira. Vale notar que o vôo que levou os cubanos era fretado e também que eles negaram todas as deserções durante os Jogos.   "Isso é muito normal, por um problema de linhas aéreas", disse à Reuters o chefe de imprensa da delegação cubana, Pedro Cabrera.   A delegação de Cuba sofreu quatro deserções nos Jogos do Rio. Ainda nos primeiros dias na cidade, o goleiro da seleção de handebol Rafael D'Acosta Capote e o técnico de ginástica artística Lázaro Lamelas foram embora. Posteriormente, fugiram da Vila Pan-Americana os boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara.   Muitas poucas vezes uma equipe deixou de receber a medalha na história de Jogos Pan-Americanos e Olímpicos, de acordo com especialistas.   Um raro exemplo foi a seleção brasileira de futebol, que não compareceu à premiação para receber a medalha de bronze da Olimpíada de Atlanta, em 1996, também porque voltou mais cedo para casa. Ao comentar sobre as deserções, o líder cubano Fidel Castro disse em um editorial que o fato foi "um golpe baixo" que afeta a moral dos atletas da ilha.

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