Imagem Antero Greco
Colunista
Antero Greco
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Porteira trancada

Há convicções e atitudes que grudam num sujeito e o acompanham a vida toda. Às vezes, pode tentar mudanças, num arroubo reformista, mas ao primeiro ruído retorna ao que considera porto seguro. Taí o caso de Felipão. O técnico da seleção jamais escondeu predileção por robusto sistema de marcação. Por isso, surpreendeu ao escalar meio de campo ligeiro no amistoso com a Inglaterra, em sua reestreia no cargo, em fevereiro. Lá em Wembley começaram como titulares Ramires, Paulinho, Oscar e Ronaldinho Gaúcho. O resultado, você lembra? Os ingleses venceram por 2 a 1.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2013 | 02h07

Logo após o jogo, o treinador admitiu que faria revisão no esquema para o compromisso seguinte e reconheceu que não poderia expor a defesa como em Londres. Estava dada a dica de que a fase novidadeira pararia por ali. As indicações continuaram na convocação para os jogos com Itália e Rússia e prosseguiram com o treino de ontem na Suíça.

Pelos relatos do congelado Almir Leite, enviado do Estado, o professor testou diversas composições, até com os atacantes Hulk, Neymar e Fred juntos, sem no entanto abrir mão de cuidar da porteira. Ela deve manter-se trancada, como ponto de partida para um time equilibrado. E isso pode dar-se de duas maneiras: 1 - a zaga com Thiago Silva, Dante e David Luiz, além de Fernando, Hernanes e Kaká no meio, com Diego Costa e Neymar à frente; 2 - a defesa tradicional com quatro, mais Fernando e Luiz Gustavo na proteção e Oscar na criação. Enfim, os nomes podem variar, mas o que conta mesmo é a estratégia.

Felipão tem certeza de que não limitará a criatividade e ousadia da equipe com dois protetores da defesa ou com três zagueiros, assim como imagina deixá-la menos vulnerável. Fernando e Luiz Gustavo (ou Hernanes) não são brucutus, nem botinudos, embora mais pesados do que Ramires e Paulinho. A dupla que desta vez fica fora chega com facilidade ao ataque; não é raro ver os dois a finalizar e a fazer gols. Não é o caso dos que devem iniciar amanhã, com exceção de Hernanes, da Lazio.

Felipão foi campeão do mundo, 11 anos atrás, com três zagueiros e com gente que formava paredão no meio. Mas, naquela ocasião, contava com talento extraordinário de três Rs: Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Rivaldo. E não há esses fora de série no elenco atual. O que reforça a justificativa dele de que não pode facilitar o caminho dos rivais.

Não há muito tempo para a comissão técnica. Daí a necessidade de testes rápidos e definição no laço para o grupo que trará para a Copa das Confederações. Os dois amistosos destes dias valerão como vestibular para a maioria. Dali em diante restarão poucas vagas abertas até o Mundial de 2014.

Perguntar não ofende: já que o Brasil se prepara para ser anfitrião de duas competições, não parece lógico e justo que se apresentasse por aqui? Por que passar frio na Europa? Ah, sim, claro, tinha esquecido que a seleção foi cedida para um grupo árabe, que tem direito de levá-la onde achar conveniente. Bela herança deixada pelo ex-dono da bola e não renegada pelos atuais ocupantes do poder.

Vespeiro. O São Paulo não é mar de rosas que muitas vezes a diretoria tenta vender ao público. Há tensão, além de preocupação com o risco de fracasso na Libertadores. Persiste a pressão sobre Ney Franco, que resolveu atirar, em vez de só aguentar o bombardeio. Já avisou que não vai tolerar reclamações, botou Lúcio hoje na reserva e manteve Edson Silva e Tolói. Fez o certo; Lúcio não está bem.

Tudo o que sabemos sobre:
Antero Greco

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.