Portugal confiante para o mata-mata

Carlos Queiroz sabe como foi importante não perder para o Brasil. Disse que era um dia para comemorações pelo simples fato de ter conseguido a classificação às oitavas diante de uma das seleções cotadas para ganhar o Mundial.

Almir Leite e Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2010 | 00h00

Em tom duro, porém fraterno, disse que não se preocupa com as seleções que não estão na chave de Portugal. "Até porque elas podem ficar pelo caminho."

O técnico não pôs limites para seu time na África do Sul. Sabe que as coisas ficarão mais difíceis de agora em diante e uma derrota determinará a volta para casa. Mas afirmou apostar no fato de sua seleção ter sofrido poucos gols. "Nas últimas 26 partidas, ficamos sem sofrer gols em 22. São referências que nos dão confiança, que nos dão indicações, que nos inspiram."

Depois de pensar por alguns instantes, Queiroz recusou-se a falar do trabalho do árbitro mexicano Benito Archundia. Disse apenas que era para perguntar a Dunga sobre as jogadas violentas da disputa, principalmente no primeiro tempo.

Deu a entender que o Brasil foi o responsável por deixar o jogo tenso. Certamente se referia a Felipe Melo, que fez três faltas duras e levou amarelo.

Estrela amadora. Queiroz vê jogos difíceis contra rivais bem posicionados taticamente e disciplinados em campo, além de terem jogadores que podem fazer a diferença. "São atletas que podem decidir um jogo sozinhos."

Nesse quesito, porém, Portugal tem, em tese, o segundo melhor de todos: Cristiano Ronaldo, atrás apenas do argentino Lionel Messi. Ontem, o português ficou isolado no ataque. Jogou como centroavante, lutou muito, mas bateu duas faltas de maneira bisonha e abusou do individualismo. Mesmo assim, foi eleito o melhor jogador em campo - pela terceira vez em três jogos de Portugal. A eleição é feita com a maioria dos votos pela internet, de torcedores.

O atacante admitiu que estranhou a função. "Não é onde mais gosto de jogar, mas quero ajudar. Fiquei um pouco sozinho, é verdade, mas o importante é que nos classificamos", disse. "O Mundial começa agora e estamos confiantes."

Para ele, o empate foi um excelente resultado para Portugal. "Não jogamos contra a Estrela Amadora (time pequeno português) e sim contra uma das melhores seleções do mundo."

O volante brasileiro Pepe, que travou duelo violento com Felipe Melo, disse não guardar rancor do jogador da Juventus. "Às vezes acontecem coisas que não gostamos durante a partida. Mas está tudo bem, o que acontece dentro do campo fica lá."

Ele admitiu que foi diferente enfrentar o Brasil, mas destacou "o amor por Portugal". "Me emocionei mais no hino português do que no brasileiro, porque tenho tudo em Portugal, devo tudo a esse país." Queiroz defendeu a escalação do jogador, que passou por cirurgia. "Não houve risco porque tenho confiança no jogador e no meu trabalho."

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