Portugal faz história e espera o Brasil

Equipe conquista a 6ª maior goleada das Copas (7 a 0 na Coreia do Norte) e ganha moral na luta pelo 1º lugar

Daniel Piza, enviado especial a Cidade do Cabo, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2010 | 00h00

O próximo adversário do Brasil, Portugal, venceu ontem a Coreia do Norte com uma goleada humilhante, a maior da Copa do Mundo da África do Sul até o momento e a sexta maior de todos os tempos: 7 x 0. Ao Brasil o saldo de gols não importa, porque basta empatar para ficar em primeiro lugar no Grupo G, mas Portugal vai confiante para a partida de sexta-feira, em Durban. A Costa do Marfim terá de golear a Coreia do Norte para se classificar.

A euforia com o resultado tomou conta do time, que já avisou: não vai se contentar com o empate diante dos brasileiros, embora lhe sirva para chegar às oitavas de final. O objetivo, dizem os portugueses, é a liderança da chave. Liedson, brasileiro naturalizado português e autor de um gol, já se imagina até balançando a rede do goleiro Julio Cesar. "Se marcar, vou comemorar, porque gol foi feito para ser celebrado", declarou.

Com os três jogadores brasileiros (Deco, Liedson e Pepe) no banco, Portugal teve um primeiro tempo sem brilho, mas mais consistente do que o do Brasil contra a mesma Coreia. Cristiano Ronaldo, atuando no lado esquerdo do ataque, tentou algumas jogadas e marcou um gol, mas não apareceu muito antes que o jogo estivesse decidido. Mesmo assim, foi eleito pela Fifa o melhor da partida.

Mais produtivo foi Tiago, substituto de Deco, que não dita o ritmo da equipe, mas fez dois gols e acertou bons passes para os atacantes. Num deles, aos 29 minutos, Raul Meirelles se deslocou, recebeu na grande área e chutou fora do alcance do goleiro. Ele foi outro destaque e saiu aplaudido no segundo tempo.

A Coreia do Norte exibiu a mesma determinação na marcação que mostrou contra o Brasil, assim como as mesmas dificuldades no último passe ou nas finalizações. Com gramado escorregadio por causa da garoa, os dois times foram cautelosos; no máximo arriscavam chutes de longe.

Depois do gol, Portugal ficou mais à vontade e Cristiano Ronaldo tentou arranques.

Orquestra. A goleada tomou forma no segundo tempo. A Coreia voltou mais ofensiva, e os espaços começaram a surgir para o contra-ataque de Portugal, especialmente de Cristiano Ronaldo. Mas os dois gols marcados na sequência (Simão, aos 7, e Hugo Almeida, aos 9) não tiveram participação do astro do Real Madrid. Ele era como um solista em noite sem inspiração, encoberto por uma orquestra bem afinada.

Só no quarto gol, com a Coreia já de passagem na mão para voltar para Pyongyang, ele começou a mostrar seu talento. Em jogada pela ponta, cruzou para Tiago completar. Seu esforço foi premiado aos 40, quando dividiu com o goleiro, a bola ficou alguns segundos aninhada em sua nuca, caiu e ele a empurrou.

Liedson, que entrou na etapa final, aumentou aos 35 e o sétimo gol foi de novo de Tiago. A essa altura, a chuva já tinha parado. E a Coreia do Norte também.

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