Portuguesa deixa Santos longe da Libertadores

Tarefa, que já era difícil, fica quase impossível. Sem Neymar, time de Muricy se torna um dos mais frágeis do torneio

VÍTOR MARQUES, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2012 | 03h05

Nunca um ingresso tão barato custou tão caro. O Santos vendeu ingressos a R$ 1 aos sócios e devolveu ao torcedor um futebol de acordo com o valor de face do bilhete - e houve quem pedisse o dinheiro de volta na derrota por 3 a 1 para a Portuguesa, ontem à noite, no Pacaembu. O resultado deixa o time santista ainda mais longe da Libertadores.

O resultado reforçou a questão: que time é o Santos sem Neymar? Sem ele - suspenso - o time de Muricy tem aproveitamento de rebaixado. Com ele, ganha quase sempre ou pelo menos joga bem. "Foi lamentável", resumiu bem Arouca.

A história poderia ter sido outra. O primeiro tempo pode ser dividido em duas partes. No início, quase domínio total do Santos, amparado na velocidade de seus atacantes. Mas logo depois quem deu as cartas foi a Portuguesa, que ajustou sua postura com a bola rolando, ganhou o meio de campo e transformou um jogo complicado em fácil.

Muricy Ramalho armou um 4-3-3 e tentou ganhar o jogo encurralando a Lusa com Victor Andrade, aberto pela esquerda, Patito Rodriguez, na direita, e André enfiado no meio da zaga.

A estratégia deu certo em termos, porque ao mesmo tempo em que os laterais da Lusa perdiam no mano a mano, André desperdiçava as chances de gol uma a uma. Na mais clara, o atacante proporcionou um dos lances mais grosseiros da partida.

Sozinho, dentro da área, André recebeu a bola e chutou-a no vazio tobogã. Em ruindade e falta de pontaria, só foi superado por Juan, que tentou um cruzamento pela esquerda e chutou para o alto como um zagueiro.

Como o poder de marcação do Santos era pífio, a Portuguesa tomou às rédeas do jogo. O problema não foi Muricy escalar apenas Arouca como primeiro volante, algo louvável e até surpreendente, mas o fato de que os outros jogadores sequer apertavam a saída de bola - Patito Rodriguez, por exemplo, marca tão bem quanto a Argentina quando joga sem Messi.

Mudança. A história mudou de rumo aos 32 minutos, quando a Lusa, já melhor no jogo, teve um gol mal anulado. Houve reclamação, mas não desespero. Boquita e Léo Silva aparecem mais e o time de Geninho encorpou.

O primeiro gol nasceu de uma das jogadas mais manjadas em cobranças de escanteios, o desvio na primeira trave. Gol de Bruno Mineiro, aos 38. Quatro minutos depois, veio o segundo numa tabela que começou com Rodriguinho e terminou com Leo Silva num chute rasteiro: 2 a 0.

O Santos voltou ao segundo tempo com Bernardo no lugar de Juan, mas num ritmo tão lento que, logo depois da saída de bola, o meia Moisés driblou três, o goleiro Rafael e por uma infelicidade acertou a trave.

Bruno Mineiro marcou seu segundo no jogo, seu 11º no Brasileiro, desviando uma cobrança de falta de Marcelo Cordeiro, que deixou o Santos em maus lençóis. Quando André fez seu gol de cabeça, aos 29 minutos, vários torcedores entre os 17 mil que foram ao jogo já deixavam o Pacaembu - a voz que vinha da arquibancada falava alto: "Devolvam R$ 1".

O Santos já estava nas cordas, morto. Miralles entrou e só errou, Victor Andrade e Patito não conseguiam segurar a bola no pé um minuto sequer, e a defesa se expunha cada vez mais. No fim, 3 a 1 para a Lusa ficou barato.

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