Positivo no exame, negativo no bolso

Positivo no exame, negativo no bolso

Equipe italiana ganha o direito de ser indenizada por atleta punido por[br]uso de testosterona na Volta da França de 2008

ROMA, O Estadao de S.Paulo

30 de março de 2010 | 00h00

Os ciclistas têm um motivo a mais para evitar o doping: além do prejuízo da imagem, o problema pode afetar o bolso. Ontem, a equipe Liquigas, uma das mais importantes da Europa, conseguiu em decisão inédita da Câmara Arbitral da Federação Italiana de Ciclismo, o direito de ser indenizada em US$ 100 mil (R$ 244,30 mil) pelo atleta espanhol Manuel Beltrán, de 39 anos, flagrado em exame antidoping na Volta da França de 2008. Foi encontrada Eritropoietina (EPO), na amostra do atleta coletada na primeira etapa do evento. Ele cumpre suspensão de dois anos, que termina em 28 de julho.

Ao justificar a punição, a Câmara de Arbitragem alegou que a Liquigas, que já contou com o brasileiro Luciano Pagliarini em seus quadros, teve sua imagem prejudicada pelo episódio de Beltrán. "Não podemos aceitar que um corredor possa minar os esforços feitos desde 2005 para a criação de uma equipe de ciclismo de alto nível", afirmou o manager da equipe italiana, Roberto Amadio. "Sempre dissemos a nossos corredores que, para nós, a vitória é importante mas a forma de obtê-la é muito mais."

Beltrán foi companheiro de Lance Armstrong nas equipes US. Postal e Discovery Channel, nas quais venceu as etapas de tomadas de tempo da Volta da França em 2003, 2004 e 2005. Em 2007, o ciclista foi para a Liquigas, na qual, no ano seguinte, foi demitido pelo doping. Na ocasião, tão logo o resultado foi conhecido, a polícia francesa organizou batida para revistar toda a equipe. Assim como na Itália, o doping na França é crime.

Motivos. Além das implicações legais, as equipes têm outros motivos para exigir indenizações de seus ciclistas que usam substâncias ilegais. Os seguidos escândalos causaram o fechamento de vários times e os organizadores das principais competições do circuito europeu vetam a participação de equipes envolvidas em casos de doping. O objetivo é evitar que seus eventos tenham a imagem desgastada, como na vitória do americano Floyd Landis na Volta da França de 2006.

Semanas depois, o título foi retirado do ciclista porque foi encontrado o hormônio testosterona exógena em seu exame. Landis sempre negou o uso de qualquer substância ilegal e o caso continua sem solução na União Ciclística Internacional (UCI).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.