Kai Pfaffenbach/Reuters
Kai Pfaffenbach/Reuters

Potência enxuta

Depois de dominar os Jogos em casa, quatro anos atrás, China chega a Londres com delegação menor e diz que foco é na qualidade dos atletas

JAMIL CHADE , enviado especial, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2012 | 03h06

LONDRES - No centro criado pelo governo chinês no coração de Londres, as estátuas de dois leões gigantes protegem os anéis olímpicos. O símbolo não poderia ser mais forte: a China é a atual campeã olímpica e desembarca em Londres com a meta de provar que pode vencer também fora de seu território, e que a força do esporte chinês chegou para ficar.

Há quatro anos, a China superou os Estados Unidos e terminou a Olimpíada de Pequim na primeira colocação, com 100 medalhas em 25 modalidades. Incluindo 51 de ouro. No melhor estilo chinês, a cúpula do movimento olímpico de Pequim se apressou nesta semana para alertar que o número de medalhas em Londres poderá ser inferior. Para o vice-chefe da delegação chinesa, Xiao Tian, a história mostra que países que recebem os Jogos registram uma alta de 32% em medalhas.

Na prática, os chineses já alertam que os EUA poderão superá-los no quadro de medalhas. "Em Londres, não somos os anfitriões", disse Xiao. "Não acreditamos que poderemos repetir o número de Pequim."

A China reconhece que vê os esportes coletivos como seu ponto fraco. "Poderemos ter bons resultados na esgrima, no judô e no ciclismo. São provas com potencial para os chineses. Mas os esportes coletivos são o tendão de Aquiles. Só temos em Londres a equipe de basquete masculino, onde será muito difícil conseguir uma medalha."

Mas, assim como em seus discursos econômicos e de política externa, a modéstia chinesa no esporte esconde uma verdadeira corrida pelo ouro, no esforço de consolidar o país como a maior potência olímpica.

Para Londres, a delegação chinesa terá 396 atletas, 200 a menos do que em 2008. Mas, segundo fontes no COI, a opção foi por qualidade máxima. Tênis de mesa, badminton, ginástica e tiro são algumas das modalidades que podem ser dominadas pelos chineses. A grande novidade, agora, é a aposta na natação.

Uma das maiores esperanças é Sun Yang, nos 1500 metros, que lidera um grupo de 50 nadadores chineses que prometem causar turbulências. Ele pode entrar para a história com a primeira medalha de ouro chinesa nesse esporte. O país não poupou esforços para promovê-lo. Além de bancar seu treinamento, concedeu a ele título de membro pleno do Partido Comunista, uma forma de prestigiar o atleta. Em seu microblog, Sun mede a temperatura de sua popularidade. São mais de 7 milhões de seguidores, e o número aumenta a cada dia. "Sinto-me um guerreiro", declarou. "Estou pronto. Os homens chineses estão chegando."

Os chineses também contrataram técnicos e especialistas estrangeiros para este ano, no esforço de manter um status de potência para o país. Membros da delegação chinesa não escondem que os Jogos são vitrines de política externa para Pequim. "Entramos na Olimpíada como um país. Não como indivíduos ou como times", apontou Xiao.

Fora dos campos, a China também parece estar ganhando a corrida contra os Estados Unidos. A delegação americana abriu uma crise com o governo quando contratou a Ralph Lauren para desenhar e fabricar seus uniformes. O problema é que a empresa delegou a fabricação das peças para onde a produção era mais competitiva: a China.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.