''Poucos enxergam o que faço''

Gilberto Silva: volante da seleção e do Panathinaikos; mesmo criticado, o volante Gilberto Silva é jogador de confiança de Dunga e está perto de ir à terceira Copa do Mundo

Entrevista com

Eduardo Maluf, GUAYAQUIL, O Estadao de S.Paulo

29 de março de 2009 | 00h00

Ele tem 32 anos, não carrega quase nenhuma fama, é pouco visto, por jogar na Grécia, e recebe críticas de todos os lados - muitos o consideram limitado, sem grande técnica. Gilberto Aparecido da Silva, porém, tornou-se jogador de confiança de Dunga e pode conseguir algo que muitos craques não alcançaram na carreira. Se mantiver o nível nos próximos 14 meses, vai disputar a terceira Copa - foi campeão em 2002, na Ásia, e participou do fracasso de 2006, na Alemanha."Pouquíssimas pessoas enxergam o que faço, muitos não reconhecem, mas tenho minha importância", afirmou o volante ao Estado. O volante é titular absoluto da seleção e tem presença confirmada hoje.O fato de jogar na Grécia aumenta ainda mais seu feito. O futebol por lá, afinal, tem pouca divulgação e repercussão. Gilberto Silva transferiu-se para o Panathinaikos no fim da última temporada, depois de seis anos no Arsenal, e tem prestígio com os gregos. Mais de mil pessoas o receberam no aeroporto de Atenas, em julho de 2008. "Estou feliz, tenho excelente qualidade de vida na Grécia." Nesta entrevista, o atleta fala da seleção, de suas ambições, das noitadas de colegas, e critica a preparação feita antes da última Copa, um dos fatores do fiasco na Alemanha.Você não é um jogador badalado, como Kaká e Ronaldinho, mas foi chamado por Felipão, Parreira e agora Dunga. Qual é sua característica que mais os atrai?É difícil falar, mas sempre procurei dar meu máximo, me sacrificar pela seleção. E nunca me preocupei com elogios. Pouquíssimas pessoas enxergam o que faço, muitas não reconhecem, mas tenho minha importância, apesar de não ser badalado como Robinho, Kaká, Ronaldinho, Adriano...Sou o carregador de piano e faço isso com prazer, mesmo sem reconhecimento. Consegui o que sempre busquei em minha vida, que era chegar à seleção e jogar Copa do Mundo.A Copa de 2002 foi o momento mais alegre e a de 2006 o mais triste?Posso dizer que sim. O título de 2002 foi o desfecho de um trabalho bem feito, tudo deu certo. Em 2006, fiquei chateado, poderíamos ter feito mais. Ficou um sentimento muito ruim.A preparação com tanta badalação em Weggis, na Suíça, não foi prejudicial?Com certeza, foi uma preparação equivocada. Em 2002, chegamos desacreditados, mas fizemos uma preparação com mais tranquilidade, mais concentração. Em 2006, houve muita badalação, não nos concentramos tanto. Mas também não podemos culpar só a preparação. Não jogamos bem, as coisas não deram certo. Foi uma lição para a próxima Copa.Você é disciplinado, mas muitos colegas exageram nas noitadas. Como vê isso no futebol?Cada um tem de ser responsável por suas atitudes. O mais prejudicado acaba sendo você mesmo. Jogador de futebol de alto nível tem de se cuidar. Caso contrário, não consegue render mesmo. Mas, claro, também é preciso ter diversão, ninguém é de ferro. Desde que com moderação.Por que foi para a Grécia, onde quase não aparece?Porque queria jogar e não estava sendo aproveitado no Arsenal. Para mim, a saída do time foi uma incógnita. Ninguém entendeu a decisão do Arséne Wenger (técnico do Arsenal, na temporada 2007-2008) na Inglaterra. Um ano antes, eu era o capitão do time. Mas estou feliz na Grécia. A qualidade de vida é melhor, o clima é parecido com o nosso, a comida é boa e as pessoas são mais abertas.

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