Poupados da ira corintiana viram heróis do clássico

Alessandro e Júlio César foram dos poucos que não ouviram impropérios da torcida e ontem ainda garantiram a vitória

Daniel Akstein Batista, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2011 | 00h00

Os únicos jogadores que foram poupados da fúria da torcida corintiana, revoltada com a eliminação do time na pré-Libertadores, acabaram saindo de campo ontem como heróis do clássico. Alessandro, autor do gol da vitória, e Júlio César, responsável por defesas milagrosas, ao lado do polivalente Jorge Henrique, além de não ouvirem seus nomes ofendidos como todos os demais, ainda ganharam motivo para comemorar: graças a suas atuações, o clima no Parque São Jorge tende a melhorar agora.

"Hoje (ontem) jogamos como a torcida gosta, mas sabemos que a pressão dela vai continuar", disse Júlio César, que achou justo o resultado. "A gente esteve bem e mostramos que o grupo é forte. É um recomeço."

O clássico de ontem não reservou o papel de astro a apenas um jogador. Enquanto Júlio César fechava o gol corintiano, Alessandro finalizava como um bom atacante. E, após balançar as redes, causou um dos momentos de maior tensão na partida: ele correu para provocar a torcida palmeirense e o goleiro Marcos foi um dos mais revoltados com a atitude do corintiano. "No ano passado, quando perdemos para o Goiás (na Sul-Americana), eles ficaram tirando sarro da gente. Agora a gente tinha motivos (por causa da eliminação alvinegra na pré-Libertadores), mas ficamos na nossa."

O lateral-direito pediu desculpas ao goleiro por sua comemoração. "Foi um desabafo pessoal, não foi nada contra ninguém", explicou. "Agi de uma maneira forte e peço desculpas aos jogadores do Palmeiras."

O autor do gol conta que os problemas que ocorreram durante a semana poderiam ter prejudicado a equipe em campo - carros dos jogadores foram depredados e a torcida invadiu o CT para protestar. "Foram dias muito difíceis, todos sabem como a gente estava pressionado."

Culpa de quem? Com a cara amarrada de sempre, mas certamente aliviado por dentro com a vitória no clássico, o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, falou em tom desabafo ontem, depois do jogo. "No Corinthians tem pressão normalmente, e hoje estamos em situação difícil. Mas já tivemos pior e ressurgimos." Ele também deixou claro que os protestos após a queda na Libertadores teve um caráter político, por causa das eleições. "É um ano político. Se soubesse quem são (os vândalos), eu tomaria atitude. Mas sabemos que eles têm o incentivo de gente de dentro e de fora do clube. Isso é triste para o Corinthians."

O presidente afirmou que o clube vai arcar com todos os prejuízos somados durante a semana e afirmou que muita coisa vai mudar a partir de hoje. "Nos próximos dias muito mais coisas vão ser corrigidas no futebol", avisou. "Vamos acelerar um pouco o planejamento e corrigir o que erramos, começando por mim até o roupeiro. São coisas internas nas quais vamos dar um choque de gestão, não tem nada de caças às bruxas."

O atacante Liedson realiza hoje exames médicos e assina contrato até julho de 2012.

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