Praça Charles Miller tem noite atípica

Cerca de 70 torcedores decidiram ir até o Pacaembu e ficaram fora do estádio, fazendo festa, mesmo com a proibição de entrada no estádio. Mas a praça Charles Miller teve um dia atípico em noite de futebol. Horas antes do espetáculo, nada de flanelinhas, trânsito, ambulantes ou cambistas. Pessoas andando de bicicleta, passeando com o cachorro ou fazendo algum tipo de atividade física eram vistas aos montes. "Nem sabia que teria jogo", conta Sara Baum, enquanto atirava uma bola furada para seu cachorro Alladin pegar.

PAULO FAVERO, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2013 | 02h03

O policiamento era ostensivo, desproporcional para um jogo sem torcida. Um efetivo de 250 PMs estavam no Pacaembu com todo aparato respectivo a uma grande partida, com viaturas e dezenas de cavalos. Segundo o tenente Razuk, responsável pelo policiamento no confronto, a situação foi inédita. "Estou há 12 anos no batalhão e é a primeira vez que vejo uma situação como essa", explica. Ele conta que no início da semana houve uma reunião com as organizadas e ficou combinado de elas não aparecerem no Pacaembu. "Também coibimos qualquer atrativo, como venda de comidas, bebidas e telão, e isso diminuiu a quantidade de pessoas."

Os torcedores, por sua vez, lamentaram a decisão da Conmebol. Munidos de bateria e algumas bandeiras, cantaram o hino do Corinthians, músicas que são ouvidas nas arquibancadas e, pouco antes do jogo começar, se juntaram, se abraçaram e rezaram coletivamente. Jorge Souza estava bastante indignado com toda a situação. "Eu moro na Califórnia e vim de férias para cá. Tinha comprado ingresso e agora não posso ver o jogo. É revoltante", comenta.

Até torcedores do Millonarios se arriscaram a ir até o Pacaembu. O grupo de 20 pessoas saiu no dia 10 de janeiro da Colômbia e levou todo esse tempo para chegar a São Paulo. Sem dinheiro, eles optaram por pegar carona e o deslocamento foi muito lento. Sem conseguirem entrar, vão tentar assistir a um outro jogo da Libertadores e hoje partem para Oruro, de carona e sem saber se chegarão a tempo.

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