Prancheta do PVC - 90 minutos de solidão

Lima, o curinga da Vila, foi o primeiro técnico de Neymar nos infantis do Santos. Lembra-se do garoto faz-tudo. "Tínhamos um artilheiro chamado Carioca. Num campeonato, ele tinha 26 gols e uns 20 eram passes do Neymar", Lima se recorda. O segundo tempo de ontem foi assim. O Corinthians mandou na primeira etapa e voltou ao campo com a boa notícia de que Ganso estava fora, machucado. Foi o que fez Neymar multiplicar-se por dois. Neymar clareou todos os tipos de jogada. Alan Patrick e Zé Eduardo as escureceram.

PAULO VINÍCIUS COELHO - paulo.v.coelho@espn.com, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2011 | 00h00

Liedson passou o primeiro tempo reclamando de sua solidão. Pedia alguém mais próximo, um pé para tentar a tabela. Só Bruno César o atendeu aos 4 minutos do segundo tempo, mas a bola mal rebatida por Edu Dracena terminou no pé do meia-esquerda, não do centroavante.

Não que Liedson tivesse o brilho de Neymar. A semelhança entre os dois foi a falta de companhia. É também o que explica o 0 x 0.

Tite pensou certo, escalou três homens na marcação de Elano, Ganso e Neymar. Era marcação e velocidade no contra-ataque. Vigiado por Fábio Santos, Elano não foi bem. Acompanhado por Ralf, Ganso sumiu até sentir lesão na coxa e ser substituído. Wallace tentava marcar Neymar.

Bem, aqui o cenário foi um pouco diferente. A única chance de Neymar no primeiro tempo morreu na trave de Júlio César, num chute sem ângulo. No segundo tempo, Neymar deu um gol a Danilo aos 9 e acertou a trave pela segunda vez aos 11.

Liedson teve só mais uma chance no final da partida, num passe de Ramirez.

O que pode fazer diferença no próximo domingo é que Liedson tem uma semana para descobrir se terá um companheiro mais próximo. Sem Ganso, machucado, Neymar já sabe que terá um único amigo fiel ao seu lado: o cansaço da viagem a Manizales. "O time está exausto!", até o presidente Luis Álvaro afirmou. Isso é o que pode decidir.

JOGADA ENSAIADA

Velhos rivais. Tite era o técnico do São Caetano no início da campanha do título paulista de 2004. Caiu depois de uma derrota para o Marília, no ABC. Quem assumiu seu lugar foi Muricy Ramalho, que terminou a campanha com a taça, ao vencer o Paulista na decisão. Era um timaço com Euller, Mineiro e Gilberto, hoje no Cruzeiro. Tite e Muricy não têm nada um contra o outro e o clima é bem mais ameno do que o da semana passada, com Felipão. Daquela época, no entanto, ficou uma cicatriz.

Homem trabalhando. Mano Menezes não está em todos os finais de semana nos estádios do Brasil, mas é o técnico da seleção que mais os visita desde Telê Santana, entre 1980 e 1982. No final de março, Mano foi à Irlanda assistir à vitória do Uruguai por 3 x 2. "Eles marcam o amistoso para Dublin, porque contam que ninguém vai até lá assistir", disse o técnico. Diga-se, é obrigação acompanhar in loco os rivais prováveis da Copa América. Mas ninguém fazia esse papel.

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