Paulo Vinícius Coelho, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2011 | 00h00

Só uma vez, na história do Brasileirão por pontos corridos, o maior craque e o melhor técnico começaram a temporada juntos. Aconteceu em 2003, ano em que Vanderlei Luxemburgo ainda não olhava para seu espelho mágico perguntando: "O Muricy é melhor do que eu?" Alex vestia a camisa 10 e brilhara tanto nos primeiros três meses daquele ano que não havia questionamento. No Brasil, no dia 29 de março, da primeira rodada, ninguém jogava mais do que ele.

A primeira rodada do Brasileirão de 2011 não mostrou que o casamento do maior craque com o melhor técnico forja o favorito. O Santos jogou com reservas contra o Inter, marcou de pênalti e nem mesmo Muricy estava no banco.

Maldito calendário que marca o início do Brasileirão para a reta de chegada da Libertadores.

Por causa dele, não se viu nem Neymar nem Muricy. Viu-se Ronaldinho e Luxemburgo.

Muricy e Luxemburgo - dos bons tempos - têm apenas uma palavra em comum: trabalho. O técnico do Flamengo, que estreou bem contra o Avaí, disse algumas vezes a seu espelho e outras tantas a seus interlocutores que Muricy não faz seu times jogarem. As equipes de Muricy marcam, as de Luxemburgo jogam.

Não bem assim.

Mas, de fato, aquele Cruzeiro jogava. Diziam que Luxemburgo só montava grandes times com craques de sobra. Não era verdade, ou Augusto Recife, Wendell e Márcio Nobre não seriam titulares no jogo do título.

Há muita água para rolar, outros candidatos para brigar pelo título, mas esse embate do passado contra o presente promete. Não há time tão forte quanto o Santos, de Muricy e Neymar que, no entanto, trocará o Brasileirão pela Copa América por um mês.

O sábado contou que craques do passado podem ser rivais no presente.

JOGADA ENSAIADA

Reforços? Incrível como a temporada brasileira é mal feita. O Corinthians que ontem venceu o Grêmio será o time do Brasileirão? Depende, por exemplo, de Andrezinho ser trocado por Jorge Henrique. E o Palmeiras que ganhou do Botafogo vai brigar pelo título? Depende de Felipão ganhar o lateral-esquerdo e o zagueiro que deseja. Os times deveriam ser montados no início da temporada e ajustados no decorrer dela. Aqui, ocorre exatamente o inverso.

A grande final

Alex Ferguson diz que a final de Wembley no sábado será diferente do primeiro título do Manchester United, conquistado no mesmo estádio em 1968: "Daquela vez, toda a Inglaterra torcia por nós. Desta vez, não será assim". A diferença é a hegemonia. Ontem, Ferguson fechou a campanha do título, invicto em Old Trafford. Na véspera, disse que poderia ser criticado por ajudar o adversário a se livrar do rebaixamento se perdesse o jogo. Ganhou! O Manchester de hoje é odiado e hegemônico.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.