Dominic Ebenbichler/Reuters
Dominic Ebenbichler/Reuters

Prata encerra ciclo de Giba na seleção brasileira de forma melancólica

Equipe de Bernardinho sofre apagão, toma virada para a Rússia e perde medalha de ouro

AE, Agência Estado

12 de agosto de 2012 | 12h07

LONDRES - A derrota por 3 sets a 2 para a Rússia na final do vôlei masculino da Olimpíada de Londres, neste domingo, encerrou de forma amarga o ciclo de Giba na seleção brasileira. O ponteiro já havia dito anteriormente que essa seria a sua última competição pelo time nacional, no qual se consagrou como ídolo e grande nome da modalidade.

No duelo diante da Rússia, Giba precisou deixar a condição de atual reserva da equipe de Bernardinho após Dante reclamar de dores no joelho ao final do terceiro set. O experiente atacante, porém, não teve sucesso em sua atuação e acabou logo sendo sacado para a entrada de Thiago Alves.

E, do banco, Giba já tinha vista o ouro escapar pelas mãos dos brasileiros no terceiro set, na qual o Brasil teve dois match points, mas não conseguiu aproveitá-los. Em seguida, sem poder fazer muita coisa para impedir a reação russa, viu os seus companheiros sucumbirem nas duas parciais seguintes.

Giba disputou essa Olimpíada longe de estar no auge de sua forma física, pois também havia acabado de se recuperar de uma cirurgia na canela esquerda, que o deixou afastado dos jogos do Brasil por seis meses. Entretanto, ele teve o seu papel de líder e referência para os mais jovens exaltado por Bernardinho durante a competição, na qual alcançou a sua terceira medalha olímpica consecutiva.

Antes da prata obtida em Londres, Giba também amargou uma derrota na final olímpica dos Jogos de Pequim, depois de ter sido o grande nome do Brasil na campanha do ouro em Atenas/2004.

Vida de superação. Prestes a se despedir oficialmente da seleção, Gilberto Godoy Filho nasceu em 23 de dezembro de 1976, em Londrina (PR). E desde cedo teve que aprender a vencer dificuldades. Aos seis meses de vida, teve leucemia detectada e precisou de 10 meses de tratamento para se curar. Aos 12 anos, caiu de uma árvore durante uma brincadeira de esconde-esconde e cortou todo o braço, do punho ao cotovelo. Levou 150 pontos e ficou um ano e meio longe do vôlei, que já era o esporte de sua preferência.

Aos 20 anos, já profissional da modalidade, despencou de um barranco de 30 metros de altura do carro em que estava, numa estrada próxima a Curitiba, mas saiu ileso. Por fim, superou uma suspensão por uso de maconha em 2003, quando já era uma das estrelas do esporte mundial.

Ainda que cheia de incidentes, a vida de Giba sempre foi vitoriosa. Começou a jogar vôlei na 5ª série do curso primário e teve como primeiro clube o Canadá Country Club. Conquistou o Mundial Infanto-Juvenil em 1993, na Turquia, e recebeu a primeira convocação para a seleção adulta em 1995, aos 18 anos.

Participou, como reserva, da campanha que levou a seleção ao decepcionante sexto lugar na Olimpíada de Sydney, em 2000. No ano seguinte, já sob o comando de Bernardinho, virou titular e começou a consolidar seu nome na equipe nacional. Suas principais conquistas foram os campeonatos mundiais de 2002, 2006 e 2010 e a medalha de ouro em Atenas. Ele ainda ganhou oito títulos da Liga Mundial. Em 2006, foi eleito o melhor jogador do mundo.

Considerado um símbolo sexual de sua modalidade, Giba casou-se em 2003 com outra estrela do vôlei, a romena Cristina Pirv, com quem teve uma filha, Nicoll, nascida no Brasil.

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