Prata encerra hegemonia

Vôlei Masculino - Jogos marcam fim do ciclo da geração que ganhou quase tudo nos últimos anos

Eduardo Maluf e Robson Morelli, enviados especiais, Pequim, O Estadao de S.Paulo

25 de agosto de 2008 | 00h00

Uma derrota para os EUA e uma medalha de prata encerram mais uma geração do vôlei brasileiro. Da mesma maneira como tudo começou. O vôlei masculino estourou em Barcelona-1992, com Tande, Paulão, Marcelo Negrão e Maurício, que levaram o Brasil ao lugar mais alto do pódio pela primeira vez. Coroavam uma história iniciada oito anos antes. Em Los Angeles, o time do levantador reserva Bernardinho ficou em segundo lugar. Uma derrota para os EUA - também por 3 a 1 -, fez aquele grupo entrar para a história como a geração de prata.O jogador Bernardinho de Los Angeles desembarcou técnico em Pequim com a dura missão de defender o ouro de Atenas, conquistado há quatro anos. Não conseguiu. Perdeu o ouro e ganhou uma nova realidade: o Brasil não é mais o número 1. Hoje, estaria em segundo. Com a prata, se desfaz a "família Bernardinho", um time que trabalhou sob o comando do técnico desde 2001 e venceu praticamente tudo o que disputou, como os Mundiais de 2002 e 2006, além de seis das últimas oito edições da Liga Mundial. "Fizemos o nosso máximo. Daqui para frente esse time nunca mais será o mesmo. Ele não existe mais", lamentou o capitão Giba, referindo-se à saída de Gustavo, Marcelinho, Anderson e, provavelmente, Escadinha. "Essa geração fez a diferença porque a gente se gostava dentro e fora da quadra." A derrota em Pequim começou um ano antes, com a briga entre Bernardinho e o levantador Ricardinho, durante o Pan. No mês passado, outro revés: a derrota na fase final da Liga no Rio. O time chegou "mordido" a Pequim, como disse Giba. Bernardinho tentou o tempo todo minimizar o tropeço, preocupado com os estragos que o episódio poderia causar. Mas pela primeira vez sua equipe sentia o incômodo da desconfiança. Nos Jogos, a seleção foi crescendo aos poucos. "Mesmo no jogo contra a Rússia, que perdemos por 3 a 1, não jogamos tão mal", disse Bernardinho. Ainda houve uma contusão de Giba, que o tirou de duas partidas, contra Sérvia e Rússia. Até a final, a seleção fez sua parte. Teve momentos ruins contra a Itália, mas ganhou. Foi chegando. Diante dos EUA, viu o ouro olímpico voltar para seus antigos donos, como no começo, em Los Angeles-1984.

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