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Prata marca o adeus de geração talentosa

Craques como Giba, Rodrigão e Ricardinho fizeram a última partida pelo Brasil. Já Serginho deixa a dúvida no ar

LONDRES, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2012 | 03h06

O brilho do ouro estava tão perto que acabou ofuscando os jogadores da seleção masculina de vôlei. O apagão sofrido ao final do terceiro set deu aos russos a confiança que eles queriam para fazer uma reviravolta na partida, que marcou a despedida de várias estrelas de uma geração talentosa: Giba, Rodrigão, Ricardinho e Serginho. "Acabou. Não foi o que a gente esperava, ainda mais para mim. Eu odeio perder. Mas temos de levantar a cabeça", afirmou o capitão Giba.

Mesmo com a medalha de prata, o atacante deixa a seleção com a sensação de que cumpriu sua missão. "Foram quatro Olimpíadas, cheguei a três finais, conquistei três medalhas e estou muito orgulhoso." Ele também reclamou das críticas que atingiram os jogadores antes da competição em Londres, principalmente após o fiasco na fase final da Liga Mundial.

"Fiquei chateado quando chegamos aqui e vimos que não acreditavam na gente. Acho que calamos a boca de muitas pessoas." Por causa de um desconforto de Dante no joelho, Giba acabou entrando na equipe no final do terceiro set. Sem ritmo, foi presa fácil para o bloqueio da Rússia, que cresceu na partida.

Os brasileiros admitiram que a mudança tática do técnico Vladimir Alekno, colocando o central Muserskiy para jogar de oposto - ele fez 31 pontos no jogo, surpreendeu o time. "Nós fomos pegos de surpresa com essa inversão", confidenciou Rodrigão. "Acho que não conseguimos vencer por detalhes. Mas estamos de parabéns pelo que fizemos na competição."

O próprio Dante, que jogou três anos na Rússia, foi pego de surpresa com a mudança tática. "Já tinha visto uma vez eles fazerem isso lá, mas não tinha dado certo. Não imaginava", disse. Para ele, o grande problema foi que o adversário ganhou confiança e isso tornou a reação brasileira mais difícil. "Foi mérito deles, mas isso está me corroendo. Tínhamos conseguido anular os três principais jogadores deles, mas perdemos no fim", comentou Dante, que garante ter fôlego para buscar uma vaga no time para os Jogos de 2016.

Outro que ficou bastante frustrado foi Murilo, pela segunda vez seguida vice-campeão olímpico. "É uma decepção enorme, sei que existe uma diferença grande entre a medalha de prata e a de ouro. Estava nas nossas mãos e deixamos escapar. Tínhamos de ter fechado o terceiro set, acho que faltou um pouco de força no final."

Além de Giba e Ricardinho, Rodrigão também vê seu ciclo na seleção no fim. Ele garante ter se realizado nos últimos 12 anos e está um pouco triste porque terá de abrir mão de um convívio intenso com os companheiros de equipe. "Acordei e vi que era o último dia que estaria com a galera." Sem clube, ele tem um projeto para 2016: tentar uma vaga no vôlei de praia. "Eu gosto, moro em Santos e só preciso de um patrocínio para poder me dedicar a isso. É um sonho, sei que seria uma mudança radical, mas pretendo conquistar outra medalha olímpica no vôlei de praia."

Dúvida. Já Serginho também chegou a dar adeus à seleção após o jogo, mas depois, nas entrelinhas, deixou a porta aberta. Ele quer dedicar mais tempo à família e se emociona ao lembrar de sua trajetória vencedora. "São três medalhas olímpicas e uma história linda. Saio feliz, mas seleção brasileira é como o exército, se te convocam, tem de ir. Mas não sei como estará minha saúde." De qualquer forma, ele está passando o bastão e espera que seus sucessores tenham o mesmo prazer de vestir a camisa amarelinha. "O Brasil tem vários jogadores que podem assumir a vaga na seleção, como o Mário Júnior para 2016. Mas ele já tem 30 anos e depois disso precisamos ver. Espero que quem vier cuide desta camisa com o mesmo carinho que eu cuidei", concluiu o jogador. / P.F. e W.B.Jr.

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