Pratos limpos

A vitória de Button, e não de Barrichello, em Barcelona até pode ser explicada pela coincidência de fatos citados por Ross Brawn. Mas a suspeita já foi levantada e, até prova em contrário, não é apenas o torcedor brasileiro que vê privilégios da Brawn GP para o piloto inglês. Circulando pelo paddock do autódromo espanhol naquelas cinco horas que as equipes levam para desmontar motorhomes e enfiar dentro dos trucks os carros, motores, câmbio, toneladas de peças e equipamentos, ouvi de pessoas sensatas que o tipo de administração com que Ross Brawn ganhou cinco campeonatos na Ferrari é o mesmo que ele vai usar na sua própria equipe. Mais ainda pelo temor que ele demonstrou de ser alcançado rapidamente pelas rivais que têm mais dinheiro.Questão de caixa não se discute. Mesmo com os testes proibidos, Ferrari, McLaren, Toyota, Renault e Red Bull podem conseguir milagres. Portanto, tudo o que for possível garantir de vantagem neste momento favorável será muito importante para a Brawn. No momento já são quatro vitórias em cinco corridas. Belíssima vantagem. Mas ainda existe um longo caminho de outras 12 etapas até o último GP em Abu Dhabi. A evolução que já se viu da Ferrari e da McLaren (exceto em Barcelona), mais a tímida melhora da Renault e a força que Red Bull e Toyota têm mostrado desde a abertura do Mundial levam a estreante Brawn GP a tentar acumular pontos enquanto está podendo. E, para sua sorte, a tendência é que, agora, mais carros passem a dividir o bolo das vitórias e pódios. Concordo com Rubinho que a frustração na Espanha foi muito grande. O fim de semana era dele, que dominou todos os treinos. Button acertou uma única volta, que foi a da pole, confessando ter copiado os acertos do carro de Rubinho. Por justiça, Ross Brawn admite que a equipe desenhou as estratégias para uma vitória do brasileiro. Até então a estratégia de três paradas parecia ser a ideal e, com a ótima largada de Rubinho, a corrida parecia definida a seu favor. Ele era o único com vantagem suficiente para voltar do pit stop sem tráfego de carros mais lentos. Com Button não era certeza dar certo. Isso levou a equipe a mudar a estratégia, que nem parecia ser a ideal. Mas era necessário tentar algo diferente para tirar Button do meio de carros mais lentos. No final, acabou dando certo porque o terceiro trecho de corrida de Rubinho foi ruim, graças a um jogo de pneu que não combinou bem com o acerto do carro, que passou a virar dois décimos mais lento. De qualquer forma, Barrichello está certo em tirar tudo a limpo. A hora é agora ou nunca mais. Se ele usou exatamente os argumentos que revelou para nós, mandou bem. Duvido que Ross Brawn tenha segurado Barrichello na equipe para fazer com ele o que fazia na época de Michael Schumacher na Ferrari. Mas se chegou a pensar assim, agora já está avisado que não vai funcionar. Nenhuma ordem será obedecida. Não acredito que a Brawn chegue a tanto e, provavelmente, Rubinho não precisará fazer o que prometeu. Mas o fato é que seria um marco histórico na F-1. Rubinho faz aniversário no sábado da corrida de Mônaco e já resolveu qual presente ele quer dar para si mesmo. Retrospecto de Rubinho em Mônaco: 3 segundos, 1 terceiro, 1 quarto, 2 sextos e 2 oitavos, com 16 participações. Button marcou pontos lá uma vez, segundo em 2004, em 7 Gps.

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