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Pré-temporada

Os campeonatos estaduais começam a embalar, a Libertadores dá os seus primeiros passos e já é possível fazer a constatação de todos os anos: os times brasileiros ainda estão jogando desesperadoramente abaixo do seu potencial. E aí reaparece a pergunta que há décadas persegue os nossos treinadores: para que serve a tal da pré-temporada? Sim, porque se os principais times resolvem se enfurnar em plácidos resorts de pacatas cidades serranas ou litorâneas, devem fazer isso por algum motivo. Um motivo que não poderia - ou não deveria - ser outro que não o de aprimorar a forma física e o entrosamento do elenco. Só que, na prática, não é isso o que acontece.

MARCOS CAETANO, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2012 | 03h03

A questão da pré-temporada é um dos muitos mitos que cercam o nosso futebol. Um mito tão grande quanto o da concentração, sistema arcaico que foi banido há tempos das equipes de ponta das mais diferentes modalidades ao redor do planeta, mas que aqui, por mais que a Democracia Corintiana dos anos 80 tenha feito de tudo para varrer do mapa o patético confinamento, continua firme e forte. Nos melhores times da Europa, concentração só quando o time tem que jogar em outra cidade - o que, na verdade, é apenas uma viagem de trabalho como qualquer outra. Quando o jogo é na própria cidade, os jogadores se encontram em algum ponto, almoçam juntos e embarcam no ônibus do clube rumo ao estádio. Não raro, vão para os estádios diretamente de suas casas.

É assim que ocorre com profissionais adultos, como o amigo leitor e este que vos escreve. Todo dia, ouço gente reclamando da imaturidade dos jogadores. Ora, se os tratamos como crianças que podem perder o rumo do trabalho por qualquer distração, como exigir que eles se comportem como adultos? A concentração é uma triste vaca sagrada do nosso futebol. Falaciosa, porém intocável.

Mas eu queria falar mesmo é da tal pré-temporada, outra instituição tida como sacrossanta. Acho válido que os times façam uma preparação mais forte depois das férias de final de ano. Ela não precisaria ser tão forte se os jogadores fossem tratados como adultos e sofressem punições caso se reapresentassem totalmente fora de forma. Uma bailarina do New York Ballet, que ganha uma ridícula fração do que ganha um jogador de ponta, caso se reapresente poucos quilos acima do peso no início da temporada, é capaz de perder o posto na hora. No futebol, temos que levar as "crianças'' para um spa de emagrecimento controlado todo início de ano. Ainda assim, alguns tratam de fugir dos treinamentos e da balança.

A pré-temporada, não fosse essa patética necessidade de funcionar como spa para os gordinhos das festas de final de ano, poderia ser realizada nos CTs dos clubes. E não fosse pelo relaxamento de boa parte dos jogadores, os técnicos não precisariam promover a estreia do time principal quando os Estaduais já estão embalando ou no jogo de estreia da Libertadores. Já está mais do que na hora de técnicos e dirigentes tratarem seus atletas profissionais como o que são: atletas e profissionais. Infelizmente, parecem saber que, se agirem assim, as crianças gordinhas continuarão sendo paparicadas por cartolas e torcedores - enquanto eles é que serão demitidos. Triste.

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