Precursor do 'Brazilian jiu-jítsu', Hélio Gracie morre aos 95 anos

Lenda esportiva desenvolveu técnica de chão que foi amplamente difundida pelos filhos Rickson e Royce Gracie

Humberto Maia Junior, O Estado de S. Paulo

29 de janeiro de 2009 | 15h23

Helio Gracie, precursor das competições de vale-tudo e um dos responsáveis pelo desenvolvimento do Brazilian jiu-jítsu, morreu nesta quinta-feira em Itaipava, região serrana do Rio, aos 95 anos, vítima de pneumonia e leucemia. Ele foi enterrado no Cemitério de Petrópolis.Veja também:Lutador de jiu-jítsu Ryan Gracie é encontrado morto na prisão Nos anos 1930, quando o futebol não tinha a popularidade de hoje, Helio era o grande nome do esporte brasileiro. Ele aprendeu jiu-jítsu com o irmão Carlos, que tinha sido apresentado à "arte suave" pelo japonês Mitsuyo Maeda, em Belém (PA).   Caçula de cinco irmãos homens, Helio era o único que, aos 15 anos, não treinava. Ele sofria de vertigens e, por isso, os médicos o proibiam de lutar. Mas ele insistiu e ajudou a desenvolver o jiu-jítsu, baseado em torções e estrangulamentos. Dois anos depois do primeiro treino, foi escalado para sua primeira luta livre (precursora do vale-tudo).   Com 1,70 m e 60 kg, Helio era o oposto do estereótipo do "valentão" da época - imagem associada aos capoeiristas, orientais e boxeadores musculosos. Para espanto geral, ele derrotava todos os adversários, entre eles Fred Ebert, vice-campeão mundial de luta livre, com 92 quilos.   Depois de encerrar a carreira, Helio fez três lutas que aumentaram sua fama: venceu o vice-campeão mundial de jiu-jítsu, Kato, perdeu para o campeão, Kimura (30 quilos mais pesado que ele), e para Wandemar Santana. Este combate, na verdade uma briga, entrou para o livro dos recordes como a luta mais longa de todas: 3h45. Helio tinha 42 anos. Waldemar, ex-aluno dele, 24.   Os Gracie diziam que as competições de vale-tudo tinham como objetivo demonstrar a supremacia do jiu-jítsu sobre as demais artes marciais. Em 1993, Rórion, filho de Helio, criou o Ultimate Fighting Championship (UFC), vencido pelo irmão Royce. Hoje, o UFC é um dos maiores eventos de lutas do mundo. Essas e outras histórias estão no livro Os Bons de Briga - a história do vale-tudo brasileiro, recém-lançado pela Editora Multifoco.  Atualizado às 21h07 para acréscimo de informação

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