Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Prefeito do Rio de Janeiro culpa Jogos Olímpicos de 2016 por crise

Marcelo Crivella credita à Olimpíada o alto custo das parcelas da dívida do município, que totaliza R$ 12 bilhões

Marcio Dolzan / RIO , O Estado de S.Paulo

01 Janeiro 2018 | 07h00

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), aponta os Jogos Olímpicos do Rio como culpado por pelo menos parte da crise financeira pela qual passa a capital fluminense. A cidade tem enfrentado problemas nas mais diversas áreas, como saúde e transporte. A dívida do município bateu nos R$ 12 bilhões em 2017, sendo que cerca de 41% desse total seriam motivados por gastos com obras de mobilidade urbana realizadas em função da Olimpíada.

+ União faz pente fino em contas do Parque Olímpico no valor de R$ 4,7 milhões

Ao longo do ano, hospitais municipais registraram superlotação, falta de insumos, equipamentos danificados e atrasos de pagamentos. Pelo menos duas empresas de ônibus que atendem ao município deixaram de operar. Outras estão em litígio com a Prefeitura. Crivella se defende culpando a falta de recursos que, segundo ele, foi agravada pela queda da arrecadação e pelo alto custo das parcelas da dívida do município. O prefeito credita à Olimpíada boa parte delas.

“Nós estamos renegociando a nossa dívida. Quanto é que nós temos para pagar este ano? R$ 1,5 bilhão!”, disse o prefeito na última quinta-feira. “A dívida total é de R$ 10 bilhões. A gente sempre ouve dizer o seguinte: ‘não teve dinheiro público na Olimpíada’. Dez bilhões de reais nós temos de dívidas!”

Questionada pelo Estado, a Secretaria Municipal de Fazenda informou que o valor devido pela cidade do Rio de Janeiro é ainda maior. “Em 31 de outubro deste ano, a dívida contratual financeira do município era da ordem de R$ 12 bilhões”, declarou a pasta, em nota oficial. “Cerca de R$ 5 bilhões são referentes a obras de mobilidade urbana realizadas na cidade em função dos Jogos Olímpicos.”

As obras de mobilidade sempre foram apresentadas pelos organizadores dos Jogos Olímpicos como um dos principais legados da competição. A cidade do Rio de Janeiro foi responsável por cinco grandes obras de mobilidade urbana, a maior parte delas com conexão à Barra da Tijuca, onde está o Parque Olímpico. No Centro da cidade, foram implantadas duas linhas do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

Durante a preparação dos Jogos do Rio, o ex-prefeito Eduardo Paes (PMDB) costumava dizer que “a Olimpíada é transformadora” e defendia os gastos com os Jogos. Segundo o ex-prefeito, a competição olímpica seria financiada com 60% de recursos privados. 

OUTRO LADO

Paes rebateu o comentário de Crivella sobre a relação entre o endividamento do município e a realização dos Jogos do Rio-2016, mas não negou as informações apontadas pela Secretaria Municipal da Fazenda. “Não se contraiu um real de dívida para se construir qualquer estádio para a Olimpíada. Todos já estão pagos”, sustentou o ex-prefeito, por meio de sua assessoria. 

Paes disse que, quando assumiu a prefeitura para o primeiro mandato, em 2009, “a dívida do município era de R$ 14,6 bilhões, valor que correspondia a 8,4% das despesas do orçamento”. Ao deixar a administração no final de 2016, continua o ex-prefeito, “o valor era de R$ 11,8 bilhões, correspondendo a apenas 2,9% das despesas”. “Fizemos a Olimpíada e entregamos uma dívida menor do que a que encontramos”, garante Paes. 

Mais conteúdo sobre:
Marcelo Crivella Olimpíada RIo 2016

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.