Prefeito do Rio fecha o Engenhão

Problemas estruturais na cobertura obrigam Eduardo Paes a interditar o estádio por tempo indeterminado

TIAGO ROGERO / RIO , O Estado de S.Paulo

27 de março de 2013 | 02h06

Construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007 ao custo de R$ 380 milhões, o Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, está interditado por tempo indeterminado. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, contou ontem ter sido procurado pelo consórcio responsável pela construção, formado por Odebrecht e OAS, que informou sobre "problemas estruturais de projeto" na cobertura do estádio que ofereceriam riscos aos torcedores. O prefeito, então, decidiu pela interdição.

"Já amanhã (quarta) não poderemos realizar nenhum jogo", disse Eduardo Paes, referindo-se à partida entre Fluminense e Macaé, prevista para as 19h30, pela terceira rodada da Taça Rio (segundo turno do Campeonato Carioca). Em uma reunião ontem à na sede da Federação de Futebol do Rio de Janeiro (FERJ) com Fluminense, Flamengo, Vasco e Botafogo (que administra o Engenhão) ficou definido que o jogo será disputado em São Januário. O jogo entre Botafogo e Friburguense, programado para amanhã no Engenhão, também foi transferido para o estádio do Vasco.

A construção do Engenhão começou a ser feita pela Delta, que abandonou a obra. Então, assumiu o consórcio Odebrecht/OAS. "Contratualmente, segundo a secretaria municipal de Obras, as empresas colocaram em uma das cláusulas que não se responsabilizariam pelo projeto e isso foi compactuado pelo meu antecessor", referindo-se ao ex-prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, atualmente vereador pelo DEM. Sendo assim, se o problema for mesmo de projeto, como alegou ao prefeito o consórcio, quem vai arcar com a solução será a prefeitura.

Cesar Maia negou, em entrevista ao Estado, a existência da cláusula. "Isso não existe. O que elas (as construtoras) pediram foi a saída da Delta, que aceitou", disse Maia.

Eduardo Paes garantiu que o Engenhão vai ficar fechado por tempo indeterminado. "O estádio só será reaberto quando for apresentada uma solução definitiva, e até agora nenhuma me foi apresentada", disse Paes. "Não é admissível que um estádio com tão pouco tempo de vida apresente esse tipo de problema", afirmou o prefeito, que, por quase uma dezena de vezes, fez questão de frisar: "Não fui eu que fiz o estádio". Paes disse não saber detalhes sobre os problemas na cobertura e informou que um engenheiro do consórcio vai apresentar as informações para a imprensa nesta quarta.

O Engenhão vinha sendo o principal estádio do Rio desde que o Maracanã foi fechado para reforma em 2010 para a realização da Copa das Confederações e da Copa de 2014. Os clubes vinham se revezando entre jogos no Engenhão e no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda.

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