Ed Sloane / WSL
Ítalo Ferreira, surfista brasileiro campeão mundial em 2019 Ed Sloane / WSL

Prêmio Laureus pode coroar temporada perfeita de Italo Ferreira

Surfista brasileiro concorre contra Rayssa Leal na categoria ‘Melhor Atleta de Ação’; Chape está outra vez na briga

Felipe Rosa Mendes, enviado especial a Berlim, O Estado de S. Paulo

17 de fevereiro de 2020 | 04h30

A temporada 2020 do Circuito Mundial de Surfe ainda não começou, mas Italo Ferreira poderá faturar mais um troféu nesta segunda, na cerimônia de premiação do Laureus, o ‘Oscar do Esporte’, em Berlim, na Alemanha. O surfista é o favorito a levar o prêmio na categoria ‘Melhor Atleta de Ação’. Para tanto, terá que superar uma compatriota, a jovem skatista Rayssa Leal, a 'Fadinha', de 12 anos. A Chapecoense é outra esperança de prêmio para o Brasil.

Campeão mundial no ano passado, Italo vai tentar levar o troféu que outros dois surfistas do País não conseguiram em 2019: seu rival Gabriel Medina e Maya Gabeira, ambos na mesma categoria. O surfista potiguar chega para a disputa no embalo também da conquista da vaga olímpica – o surfe estreará nos Jogos de Tóquio – e da vitória nos Jogos do ISA (competição no Japão que era pré-requisito para obter a classificação olímpica).

“Me surpreendeu a indicação pelo fato de ter os melhores na premiação. Fico muito feliz de saber e ver o reconhecimento pelo meu trabalho no surfe. Se eu vencer, será um título muito importante para a minha carreira profissional”, disse Italo.

Para ser premiado, Italo terá de superar outra surfista, a americana Carissa Moore, também campeã mundial em 2019. Estão na disputa ainda a americana Chloe Kim e o canadense Mark McMorris, ambos do snowboard, e os skatistas Nyjah Huston, outro atleta dos EUA, e Rayssa Leal.

Fadinha, como ficou conhecida nas redes sociais, é uma das surpresas entre os indicados. Ela foi a revelação de 2019 na modalidade street do skate. A indicação é resultado do título conquistado na etapa de Los Angeles, uma das mais importantes do circuito, e logo em sua terceira participação em um evento deste porte. Tornou-se a mais jovem da história a vencer a competição.

Neste momento está na zona de classificação para a Olimpíada no street. E deve ser uma das favoritas ao pódio em Tóquio. Se superar Italo e os demais rivais em Berlim, a skatista se tornará a primeira mulher brasileira a levar o Laureus.

No total, o Brasil soma oito troféus no Laureus. O maior vencedor é o nadador Daniel Dias, com três conquistas, em 2009, 2013 e 2016, todas na categoria paralímpica. Na edição de 2003, foram duas vitórias. A seleção brasileira masculina de futebol levou o prêmio de equipe em razão do pentacampeonato, obtido no ano anterior, e Ronaldo faturou na categoria ‘Melhor Retorno’, por ter sido o principal destaque daquela Copa do Mundo. Pelé também já foi premiado, logo na primeira edição do prêmio, em 2000, pela sua carreira vitoriosa. O skatista Bob Burnquist levou a melhor em 2002, na categoria onde brigam Italo e Fadinha hoje. E a Chapecoense ganhou o ‘Momento Esportivo’ em 2018.

Neste ano, o clube catarinense briga de novo na mesma disputa, que desta vez reuniu todos os vencedores anteriores desta categoria. A Chapecoense concorre ao prêmio como os ‘Eternos Campeões’, em referência ao amistoso que homenageou as vítimas do acidente aéreo ocorrido em novembro de 2016. Na partida, em agosto de 2017, Alan Ruschel voltou ao campo defendendo a equipe brasileira contra o Barcelona. Ele jogou os primeiros 35 minutos da partida antes de ser substituído e foi aplaudido de pé.

Os demais ‘momentos esportivos’ na briga pelo troféu são: ‘Tal pai, Tal filho’, sobre o piloto alemão Mick Schumacher, filho de Michael; ‘Nos ombros de uma Nação’, sobre a liderança de Sachin Tenulkar na seleção indiana de críquete; ‘Desafio do Destino’, sobre o alpinista chinês amputado Xia Boyu, que subiu o Everest; e ‘O Poder da Mente’, sobre a nadadora paralímpica sul-africana Natalie du Toit.

*O repórter viajou a convite da organização do evento

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Com Nadal e Osaka, tênis tenta manter domínio no Prêmio Laureus

Modalidade disputa as principais categorias e tem no espanhol Rafael Nadal sua maior aposta

Felipe Rosa Mendes, enviado especial a Berlim, Estadão Conteúdo

17 de fevereiro de 2020 | 08h57

Dominante desde a primeira edição do Prêmio Laureus, o tênis tentará manter sua hegemonia na cerimônia marcada para esta segunda-feira, às 15 horas (horário de Brasília), em Berlim, na Alemanha. A modalidade disputa as principais categorias e tem no espanhol Rafael Nadal sua maior aposta.

O atual número dois do mundo foi indicado em razão da grande temporada que fez em 2019. Ele venceu dois dos Grand Slams do circuito, com direito ao incrível 12.º título em Roland Garros, um novo recorde para torneios deste nível - as marcas anteriores também eram dele. De quebra, levou a Espanha ao título da Copa Davis e retomou o posto de número 1 do mundo, posição perdida para Novak Djokovic somente em janeiro.

Competindo na categoria "Melhor Atleta Masculino", Nadal vai enfrentar rivais de peso, como o inglês Lewis Hamilton, o também espanhol Marc Márquez, o queniano Eliud Kipchoge, o norte-americano Tiger Woods e o argentino Lionel Messi.

Os tenistas levaram este prêmio nas últimas duas edições do Laureus, com Djokovic, em 2019, e Roger Federer, no ano anterior. No total, a modalidade venceu nesta categoria em dez das 20 edições do prêmio. O suíço, por sinal, é o recordista geral de troféus, com seis, em diferentes categorias.

No feminino, foram seis troféus nas 20 edições já realizadas, quatro deles somente para Serena Williams, o último em 2018. A tenista também é a recordista no feminino, com cinco, sendo 11 indicações. Neste ano, a americana não compete, mas a modalidade terá a japonesa Naomi Osaka como representante. Ela enfrentará as norte-americanas Megan Rapinoe (futebol), Simone Biles (ginástica), Allyson Felix (atletismo) e Mikaela Shiffrin (esqui) e a jamaicana Shelly-Ann Fraser-Pryce.

O tênis ainda levou sete prêmios da categoria "Melhor Retorno", em 20 edições, e cinco troféus em "Revelação". Neste ano, foram seis indicações para a modalidade. Somente o futebol alcançou o mesmo número. O atletismo vem logo atrás, com cinco indicações.

No total, o Laureus conta com oito categorias. O Brasil será representado em duas disputas. No "Momento Esportivo 2000-2020", a Chapecoense, que vencera este mesmo prêmio em 2017, volta a concorrer nesta categoria que reuniu os vencedores de todas as edições anteriores. Outros brasileiros indicados são Italo Ferreira, campeão mundial de surfe no ano passado, e Rayssa Leal, do skate, ambos brigando pelo troféu de "Melhor Atleta de Ação".

Confira abaixo o perfil dos indicados no masculino e no feminino:

Melhor Atleta Masculino

Rafael Nadal (tênis)

O tenista espanhol brilhou na temporada 2019 ao conquistar dois dos quatro títulos de Grand Slam: Roland Garros e US Open. Em Paris, levantou o troféu pela incrível 12.ª vez. Nenhum outro tenista da história venceu um mesmo Slam por tantas vezes. Alcançou ainda o seu 19.º Major, se aproximando do recorde de 20, que pertence ao suíço Roger Federer.

De quebra, o espanhol retomou o posto de número 1 do mundo na reta final da temporada. Desta forma, terminou o ano no topo pela quinta vez, como já fizera em 2008, 2010, 2013 e 2017. E, aos 33 anos, se tornou o mais velho tenista a finalizar o ano na posição de número 1. No total, em 2019, Nadal conquistou quatro títulos, somando 58 vitórias e sete derrotas, além do troféu da Copa Davis, pela Espanha. Ele foi indicado ao Laureus pela sétima vez, já somando três troféus, por diferentes categorias.

Lewis Hamilton (automobilismo)

O piloto da Mercedes conquistou seu sexto título da Fórmula 1 em 2019 e entrou de vez para o seleto dos grandes da história. Só está atrás agora do alemão Michael Schumacher, recordista de conquistas, com sete troféus. Para tanto, o britânico venceu 11 das 21 corridas do ano, ampliando ainda mais seu domínio recente na categoria.

Hamilton soma agora 84 triunfos, novamente atrás apenas de Schumacher (91). O atleta de 35 anos já tinha o recorde de pole positions (88). E já é o grande favorito ao título da nova temporada da F-1, com início em março. O piloto foi indicado ao Laureus pela oitava vez em sua carreira, com um troféu conquistado, como a "Revelação" de 2008.

Marc Márquez (motovelocidade)

Aos 26 anos, o piloto espanhol impôs raro domínio na MotoGP nos últimos anos. E a temporada 2019 foi o seu auge. Ele venceu 12 das 19 etapas, obteve dez pole positions e venceu o campeonato com um recorde de 420 pontos, cravando de vez seu nome entre os maiores da motovelocidade.

Tal desempenho garantiu a Márquez seu sexto título da MotoGP em sete anos. Somente dois pilotos têm mais conquistas que ele na elite da competição: os italianos Giacomo Agostini (8) e Valentino Rossi (7). O espanhol soma três indicações ao Laureus, com uma vitória em 2014.

Lionel Messi (futebol)

Assim como acontece com sua trajetória na seleção argentina, o atacante ainda busca sua primeira conquista no Laureus, em sete indicações. O aguardado prêmio pode vir neste ano no embalo de suas conquistas individuais - coletivamente, o Barcelona venceu apenas o Campeonato Espanhol.

Em 2019, Messi foi eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa e faturou a Bola de Ouro pela sexta vez, um recorde. Foram 36 gols ao longo da temporada europeia, sendo o artilheiro do Espanhol pela sexta vez. Em maio, atingiu a marca de 600 gols na carreira. Em novembro, superou a marca de 40 em um ano pela 11.ª vez na carreira.

Eliud Kipchoge (atletismo)

O queniano de 35 anos não conquistou nenhuma medalha de peso ou título importante em 2019. Mas fez algo que nenhum outro atleta conseguiu na história: completou uma maratona em menos de duas horas. Ele terminou uma prova especial em 1h59min40s em Viena. A marca, contudo, não foi reconhecida ou homologada porque não era uma competição oficial e porque contava com "coelhos" ao longo de todo o trajeto.

O currículo de Kipchoge, contudo, é vasto. Ele foi campeão olímpico na mesma prova no Rio-2016. Antes de se destacar na maratona, ele brilhava nos 5.000 metros. Nesta prova, foi medalhista de prata em Pequim-2008 e bronze em Atenas-2004. Além disso, tem um título mundial em Paris-2003 nesta mesma distância. No total, soma três indicações ao Laureus, com um prêmio, conquistado no ano passado.

Tiger Woods (golfe)

Veterano no esporte e também no Laureus, o golfista de 44 anos soma sua 11.ª indicação ao prêmio, com três conquistas no seu vitorioso currículo, em diferentes categorias. Em 2019, o norte-americano teve mais um ano de renascimento no circuito. Ao vencer o Masters em abril, conquistou seu 15.º título de Major, o seu primeiro desde 2008.

No mês de outubro, brilhou de novo faturou o Zozo Championship, no Japão, igualando o recorde de Sam Snead, com 82 vitórias no PGA Tour. No total, são 108 títulos em nível profissional.

Melhor Atleta Feminino

Megan Rapinoe (futebol)

Forte candidata ao prêmio, a norte-americana de 34 anos teve em 2019 o melhor ano de sua carreira. Foi eleita a melhor do mundo pela Fifa e faturou também a Bola de Ouro. As conquistas individuais vieram na esteira do bicampeonato da seleção de futebol dos Estados Unidos no Mundial da França.

Rapinoe foi o grande nome da Copa, dentro e fora de campo, em razão da troca de farpas com o presidente dos EUA, Donald Trump. No gramado, ela foi a melhor do Mundial e a artilheira. A atacante foi ainda a jogadora mais velha a marcar gol em uma final de Mundial Feminino. No currículo, a atleta tem também o Mundial de 2015 e o título olímpico obtido nos Jogos de Londres-2012. No Laureus, obteve sua primeira indicação, neste ano.

Simone Biles (ginástica)

Mais nova indicada da categoria, ao lado de Naomi Osaka, ambas com 22 anos, Biles busca o bicampeonato seguido no prêmio - também venceu em 2017, aproveitamento de 100% até agora. E tal sequência não é por acaso. Em 2019, ela voltou a surpreender o mundo da ginástica ao faturar cinco medalhas de ouro no Mundial, incluindo o quinto título no individual geral, um novo recorde.

Com sua performance excepcional, a jovem esportista ajudou o time feminino dos Estados Unidos a conquistar o pentacampeonato mundial geral. O país se tornou o mais vitorioso da história do Mundial de Ginástica, com 25 medalhas, sendo 19 de ouro. Biles tem em sua carreira quatro medalhas de ouro olímpicas e uma de bronze, todas conquistadas nos Jogos do Rio-2016, sua primeira Olimpíada.

Allyson Felix (atletismo)

Outra americana na disputa, Felix é do time das mais experientes. Aos 34 anos, ela tem trajetória assombrosa no atletismo. Em 2019, dez meses após dar a luz ao seu primeiro filho, ela quebrou o recorde de medalhas de ouro do jamaicano Usain Bolt em Mundiais. A americana foi campeã nos revezamentos misto e no 4x400 metros em Doha.

Levando em conta as conquistas em Olimpíadas, Felix soma 27 medalhas em sua carreira, sendo 19 delas de ouro. São seis títulos olímpicos, em três diferentes edições dos Jogos. No Laureus, está em sua terceira indicação, ainda em busca do primeiro prêmio.

Shelly-Ann Fraser-Pryce (atletismo)

A jamaicana de 33 anos também brilhou em 2019 após se tornar mãe. Conhecida também pelos cabelos coloridos, ela se sagrou tetracampeã mundial dos 100 metros em Doha e ainda levou o ouro no revezamento 4x100m, somando seu nono título mundial da carreira. Como se não bastasse o sucesso nas pistas, ainda conquistou o público ao comemorar seus feitos na companhia do seu filho de dois anos, em seu colo.

Nos Jogos de Tóquio, ela buscará o tricampeonato olímpico nos 100m, sua especialidade. A jamaicana levou a melhor em Pequim-2008 e em Londres-2012, mas não passou do bronze no Rio-2016. Em Mundiais, são nove títulos. No Laureus, está em sua quinta indicação, ainda sem prêmios.

Naomi Osaka (tênis)

Após levar o prêmio de Revelação de 2019, a tenista japonesa agora disputa na categoria de Melhor Atleta, mostrando que não chegou ao topo por acaso. No ano passado, Osaka conquistou seu segundo Grand Slam, ao vencer o Aberto da Austrália, e alcançou a posição de número 1 do mundo. No ano anterior, surpreendeu o mundo ao bater Serena Williams e faturar o US Open.

Em uma temporada irregular, Osaka só voltou a brilhar na reta final do ano, ao vencer dois títulos em sequência, no Japão e na China. Aos 22 anos, ocupa atualmente a 10.ª posição do ranking. Em sua segunda indicação ao Laureus, corre por fora desta vez, com chances menores de levantar o troféu.

Mikaela Shiffrin (esqui)

Mais uma americana disputando esta categoria, a esquiadora de 24 anos busca seu primeiro Laureus, em sua quarta indicação. Apesar da pouca idade, já é considerada uma das melhores da história da modalidade.

O status foi adquirido no ano passado, ao vencer pela terceira vez consecutiva a Copa do Mundo. Na prestigiada competição, se tornou a primeira a vencer em todas as categorias na mesma temporada: super-g, giant slalom e slalom. Ela também tem no currículo uma medalha de ouro e uma de prata no Mundial da modalidade.

*O repórter viajou a convite da organização do evento

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