Presença de Marta garante espetáculo que torcida esperava

Brasiliera se destaca no jogo contra Jamaica com gol, lançamentos, passes, dribles e cruzamentos

Pedro Fonseca, da Reuters

14 de julho de 2007 | 21h18

Pode ser que nem tenha feito tanta diferença no resultado, contra uma seleção jamaicana que deixou claro ainda estar engatinhando no futebol feminino, mas a presença da melhor jogadora do mundo, Marta, na seleção brasileira, era o ingrediente que faltava para o espetáculo esperado pela torcida. Desde que entrou em campo carregando nas costas a mística da camisa 10 do Brasil, a jogadora foi uma representante digna da posição que ocupou e fez lançamentos, passes, dribles e cruzamentos com a habilidade característica dos grandes meias de criação do futebol brasileiro. Seu único gol no jogo deste sábado foi marcado de pênalti, numa cobrança fulminante no canto esquerdo da goleira jamaicana Paula Jackson. Mas antes, ela já havia arrancado aplausos e comentários da torcida após dois lances individuais a partir do meio-campo que resultaram em gols de Kátia Cilene.Tudo isso somente um dia após ter desembarcado da Suécia, onde tinha uma partida pelo Umea durante a semana, que a deixou fora da estréia do Brasil no Pan, contra o Uruguai, na quinta-feira. Marta não perderia por nada a oportunidade inédita de jogar em casa pela seleção brasileira diante de mais de 10 mil torcedores, público recorde para a seleção feminina em partidas no Brasil."Eu vim com tanta garra e tanta vontade de jogar que nem me preocupei com o cansaço. Dormi bem a noite, acordei hoje às 8h e já estava disposta a jogar. Falei com o treinador que estava aqui para ajudar a seleção a qualquer preço", contou Marta após a goleada brasileira por 5 x 0 no estádio João Havelange, o Engenhão.HumildadeFora das quatro linhas, a alagoana de 21 anos é o oposto do que se vê entre as estrelas do futebol masculino. A humildade é tamanha que Marta diz não ter tempo nem para ouvir os elogios que vem de fora. "Pra falar a verdade eu nem sei se eles gritaram o meu nome, eu estava tão concentrada no jogo que ouvia a gritaria mas não sabia o que estavam gritando. Se era por minha causa, eu não esperava e fiquei muito feliz", afirmou.Ainda que tenha saído do país jovem, Marta recorda dos momentos de dificuldade de encarar a duríssima realidade do futebol feminino no Brasil e vê no Pan-Americano do Rio a oportunidade de abrir um novo horizonte para suas companheiras. Ainda que seja lá fora, como aconteceu com ela."Se vai mudar alguma coisa a gente não tem como saber, mas o importante é fazermos o nosso trabalho da melhor forma possível, e quem sabe outras jogadoras da seleção conseguem uma projeção e se transferem para o exterior."

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