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Presidente da CBF acusa Conmebol de querer impor 'voto de cabresto' em eleição

Decisão do coronel Nunes de votar no Marrocos para sede da Copa de 2026 abriu crise diplomática com a entidade continental

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

15 Junho 2018 | 13h38

Pivô de uma crise dentro da CBF, o presidente da entidade, coronel Antônio Nunes, tem acusado a Conmebol de querer impor um "voto de cabresto". A entidade sul-americana, que havia fechado um acordo sobre como votar para a escolha da sede de 2026, quer usar a ocasião para silenciar o brasileiro nas reuniões da entidade e, em um segundo momento, conseguir seu afastamento.

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Na quarta-feira, Nunes deixou a Conmebol perplexa ao votar pela candidatura do Marrocos para sediar a Copa de 2026, rompendo um acordo da Conmebol de apoiar, em bloco, o projeto conjunto de Estados Unidos, México e Canadá.

A CBF se apressou em declarar que aquilo havia sido uma decisão pessoal de Nunes e que a entidade em si se mantinha aliada ao restante do bloco. Carlos Cordeiro, presidente da US Soccer, não saiu totalmente convencido. A reportagem do Estado revelou que os norte-americanos estão convencidos de que o voto foi uma retaliação de Marco Polo Del Nero contra os EUA diante de seu indiciamento pela Justiça daquele país.

Na Fifa, o presidente Gianni Infantino também se surpreendeu com a decisão de Nunes e, em conversa a cartolas em Moscou, defendeu o seu afastamento.

Na Conmebol, a movimentação também vai no sentido de colocar um fim à participação de Nunes na organização. O que se estuda agora é a forma pela qual isso poderia ocorrer. Uma das opções seria a de convencer a CBF a trocar o representante apenas para as reuniões em Assunção e aguardar até o ano que vem por uma troca definitiva. Em abril, Rogério Caboclo assume a entidade.

 

A pessoas próximas a ele, Nunes nega que tenha sido orientado a votar de uma forma ou de outra. "Disseram para ficar à vontade", apontou. Os demais dirigentes que estavam ao seu lado na hora da votação também indicaram que não houve uma obrigatoriedade em seguir um determinado voto.

Nunes, porém, estava em duas reuniões em que a Conmebol, expressamente, realizou consultas para fechar um acordo para se votar pela candidatura norte-americana. Nos encontros, ele não emitiu opinião e os entendimentos foram costurados com dirigentes como Marco Polo Del Nero, Rogério Caboclo e Fernando Sarney. Ao final de ambas as reuniões, comunicados de imprensa foram emitidos pela Conmebol garantindo que todos os votos iriam para os norte-americanos.

"É o que chamam de voto de cabresto", criticou Nunes. Sua queixa é de que o Brasil possui uma influência suficiente para ter sua própria voz. Para a delegação argentina, porém, o problema é que havia um acordo que deveria ser cumprido.

Aliados de Nunes tem ainda insistido que, se a CBF devesse votar pelos norte-americanos, precisa ser explicado o que é que o Brasil ganharia com isso.

Apesar de manter sua decisão, o coronel "sentiu" o impacto de seu voto e tem se mostrado "abatido". Nos últimos dias, tem evitado sair do hotel, não foi à inauguração da Casa Conmebol em Moscou e nem mesmo ficou durante todo o jogo de abertura da Copa no estádio. À reportagem do Estado, ele garantiu que irá ver o jogo da seleção, em Rostov, no domingo. "Claro que vou", completou.

 

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