Joshua Paul/AP
Joshua Paul/AP

Presidente da IAAF classifica novas denúncias como 'piada'

Entidade é acusada de ter encoberto casos de doping

Estadão Conteúdo

03 Agosto 2015 | 09h41

Presidente da Associação das Federações Internacionais de Atletismo (IAAF) há 15 anos, o senegalês Lamine Diack classificou como "piada" as denúncias feitas por dois órgãos de imprensa europeus no fim de semana. O canal de TV alemão ARD e o The Sunday Times sugerem que a entidade encobriu centenas de casos de doping em eventos como Mundial e Jogos Olímpicos, disputados entre os anos de 2001 e 2012.

"Eles estão brincando com a ideia de uma redistribuição das medalhas. É possível, se provarmos, com as novas técnicas à nossa disposição, que alguém se dopou. Caso contrário, é uma piada. Apenas três semanas antes do Mundial, há algo por trás disso", disse o senegalês, durante reunião do Comitê Olímpico Internacional (COI), em Kuala Lumpur, na Malásia.

No entender de Diack, as denúncias publicadas nos primeiros dias do mês em que vai ser realizado o Mundial de Pequim (China) estão relacionadas à eleição para substituí-lo no comando da IAAF. O britânico Sebastian Coe, que comandou com sucesso os Jogos de Londres, e o ucraniano Serguei Bubka, atual vice-presidente, ambos ex-atletas de sucesso, são os candidatos.

Os dois veículos de comunicação tiveram acesso ao resultado de 12 mil testes de sangue de 5 mil atletas ao longo de uma década. As informações foram tiradas do banco de dados da própria IAAF e vazadas por uma fonte não identificada.

Os documentos levantam suspeitas sobre um terço das medalhas conquistadas em provas de resistência em Mundiais e Jogos Olímpicos disputados em uma década. De acordo com a análise, 800 atletas, competindo dos 800 metros à maratona, registraram testes de sangue com resultados suspeitos ou abaixo dos padrões da Agência Mundial Antidoping (Wada).

O documentário ''Doping Ultrassecreto: O Sombrio Mundo do Atletismo'', do canal ARD, mostra ainda que 146 medalhas de Mundiais e Jogos Olímpicos, sendo 55 de ouro, foram conquistadas por atletas que apresentaram estes resultados suspeitos nos testes. Nenhum deles perdeu as medalhas em eventuais provas antidoping.

"Existe um documentário e um jornal levantando questões. Nós vamos responder todas elas. Mas não é (apenas) porque alguém tem um perfil suspeito que ele se dopou. Quando alguém diz que existem medalhas para serem distribuídas de 2001 a 2012, isso é apenas uma farsa", reclamou Diack.

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