Jonathan Nackstrand/AFP
Jonathan Nackstrand/AFP

Dirigente ataca Morten: 'Se está tão ruim, deveria ir à Dinamarca'

Presidente da Confederação Brasileira de Handebol responde às críticas feitas por técnico da seleção feminina após eliminação

DEMÉTRIO VECCHIOLI, Estadão Conteúdo

16 de dezembro de 2015 | 17h16

Responsável por levar a seleção brasileira feminina de handebol ao título mundial em 2013, o técnico Morten Soubak não é mais unanimidade. As recentes críticas pelo treinador dinamarquês à gestão da modalidade no País repercutiram muito mal dentro da Confederação Brasileira de Handebol (CBHb), a ponto de o presidente da entidade, Manoel Luiz Oliveira, sugerir que Morten volte à Dinamarca, seu país de origem.

"Imagino se Morten fosse da área médica, de educação, o que ele iria falar do nosso país. Não podemos nunca comparar com o que se faz na Europa. Um país do tamanho de São Paulo (a Dinamarca), rico, compará-lo com o handebol brasileiro. Se essas condições são tão ruins, ele deveria estar dirigindo a Dinamarca, não o Brasil", disparou ''seu Manoel'', em entrevista à Agência Estado.

As declarações do dirigente máximo do handebol brasileiro são uma resposta às críticas feitas por Morten durante o Mundial da Dinamarca, do qual o Brasil foi eliminado nas oitavas de final, no domingo. Em entrevista ao portal UOL, o dinamarquês disse que o handebol brasileiro só piorou desde o título de 2013.

"Antes, diziam: ''Vocês vão ter algo depois de conquistarem um título''. Não é verdade. O handebol do Brasil só piorou depois do Mundial de 2013. A Liga Nacional tem poucos times e é muito curta. Eu não vejo clubes, cidades ou Estados investirem no handebol. É só fala. Faltam mais lugares para a molecada jogar. Não falo de estrutura escolar, que essa está boa, mas e aqueles craques do Mato Grosso? De Minas Gerais? Vão para onde? Eu digo isso porque eu venho de uma fábrica de talentos que é a Dinamarca. É uma fábrica de talentos que a cada ano produz atletas em nível altíssimo", disse Morten.

Para o presidente da CBHb, as críticas foram "no mínimo inconsequentes, para não dizer irresponsáveis". Questionado se há algum risco de Morten ter seu contato rescindido, o dirigente respondeu assim: "Acredito muito na equipe multidisciplinar que está com ele e nas nossas atletas. Ele é um componente dentro do processo".

A principal crítica de Morten é que a Liga Nacional Feminina, que em 2013 teve 11 clubes, agora conta com apenas seis. Com poucas equipes, a competição foi encurtada, fazendo com que as jogadoras que atuam no Brasil façam poucas partidas. Mas a CBHb garante que não tem nenhuma culpa. "A confederação não tem autonomia. Não posso te dizer: ''Monte uma equipe para jogar a Liga''. Essa liga foi mais curta para ele ter as atletas por mais tempo", argumenta Oliveira.

PARA ESQUECER

O handebol brasileiro teve um mês para esquecer. Primeiro, o Torneio Quatro Nações, que contaria também com Argentina, Sérvia e Eslovênia, em Brasília, foi cancelado por conta de goteiras no Ginásio Nilson Nelson. Uma das partidas chegou a ser iniciada, mas depois foi suspensa. Depois, no Mundial, o time caiu nas oitavas de final, diante da Romênia, depois de passar invicto pela primeira fase.

"Ginásio de esportes da qualidade do Nilson Nelson a gente não tem cinco no Brasil. Tivemos a infelicidade de ter uma goteira que atrapalhou. Estávamos jogando em Brasília atendendo um pedido dos Correios, do Banco do Brasil e Ministério do Esporte. Foi em Brasília porque nos favorecia bastante", explica Oliveira. Sobre o Mundial, diz o dirigente que "é melhor que tenha perdido lá do que a gente vir a ter um resultado que não tão positivo aqui".

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