Darren Ornitz/Reuters
Darren Ornitz/Reuters

Preso nos EUA, Marin terá de devolver apenas fração do que pediam Fifa e Conmebol

Ex-presidente da CBF precisará desembolsar cerca de R$ 520 mil

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2018 | 01h06

A Justiça norte-americana estabeleceu que o ex-presidente da CBF José Maria Marin, de 86 anos e que cumpre prisão nos Estados Unidos por crimes cometidos entre 2012 e 2015, terá de devolver apenas US$ 19,5 mil (R$ 74,1 mil) para a Fifa em salários, além de US$ 118 mil (R$ 448 mil) para a Conmebol, também em salários, num total de US$ 137 mil (R$ 520 mil).  O brasileiro já foi sentenciado a quatro anos de prisão nos Estados Unidos

A CBF não vai receber nada, pois não se colocou como vítima de seu ex-presidente. Procurada ontem, a entidade não se pronunciou.

Ao lado dos demais dirigentes, Marin pagará um total de US$ 2,1 milhões (R$ 7,98 milhões). O valor é apenas 0,4% do que as entidades esportivas queriam recuperar como supostos danos e prejuízos provocados pelos desvios de recursos promovidos pelo ex-mandatário do futebol brasileiro.

Marin foi condenado em agosto a 48 meses de prisão após ter sido declarado culpado por receber de forma ilegal propinas em contratos de direitos comerciais, por meio de empresas de marketing esportivo, da Copa do Brasil, da Libertadores e da Copa América. No total, o ex-dirigente brasileiro está preso há 17 meses.

A Conmebol estimava que deveria receber de volta cerca de R$ 352 milhões dos condenados. Disso, mais de R$ 26 milhões teriam de vir de Marin. A Fifa, por sua vez, queria a devolução de outros R$ 105 milhões. Já os procuradores norte-americanos pediam que Marin e o ex-presidente da Conmebol Juan Angel Napout restituíssem R$ 206 milhões diante dos danos e prejuízos causados por cobranças de propinas que eles exigiram.

Seus advogados de defesa exaltaram a dimensão da vitória na Justiça, já que o valor é significativamente mais baixo do que solicitavam as entidades esportivas. Para Julio Barbosa, advogado de Marin, a sentença de restituição “de certa maneira coloca as coisas no devido lugar, ao rejeitar os pedidos injustificados das entidades pseudovítimas”.

Em agosto, a Justiça norte-americana também determinou a aplicação de uma multa total de cerca de R$ 4,5 milhões, que será paga em seis parcelas, sendo a primeira seis meses depois de 20 de novembro.

José Maria Marin também será confiscado em R$ 12,5 milhões por ter participado do esquema de propinas que teria possibilitado que ele recebesse R$ 37,5 milhões.

Um dos argumentos da Fifa e da Conmebol era de que elas foram obrigadas a gastar milhões de dólares em investigações internas, depois que eclodiram os escândalos de corrupção em 2015.

A defesa de Napout ainda estimou que tanto os procuradores como a Fifa estariam incluindo na conta da restituição custos que não teriam qualquer relação com os dirigentes sul-americanos. Em resposta, a entidade máxima do futebol alegou que foi obrigada a conduzir investigações internas a pedido dos procuradores norte-americanos e que não sabiam o que era e o que não era relacionado com Marin.

Ainda em outubro, a Justiça dos EUA exigiu que a Fifa apresentasse notas fiscais e valores recebidos dos supostos gastos que teve com Marin e Napout, além de provas de que os dois teriam uma relação direta com o volume solicitado.

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