Pressão no São Paulo incomoda Lucas e Casemiro

Jovens jogadores podem repetir a história de Kaká, que deixou o clube após campanha da torcida

FERNANDO FARO, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2012 | 03h07

Destaque na base, rapidamente se tornou figura imprescindível na equipe principal e chegou à seleção. Mesmo com o enorme potencial, acabou deixando o clube precocemente após críticas da torcida, que o chamava de "amarelão" e o responsabilizava pela falta de títulos. O personagem da história é Kaká, que virou um dos principais jogadores do mundo após deixar o São Paulo e ir para o Milan por US$ 8,5 milhões. Mas o roteiro parece estar sendo escrito novamente com dois novos protagonistas: Lucas e Casemiro, alvos preferenciais da revolta da torcida após a derrota para a Portuguesa.

Apontados como duas das melhores joias de Cotia, a dupla ouviu pesadas críticas e vaias ao ser substituída no Canindé. Lucas foi chamado de "mentiroso", enquanto o volante teve de escutar que é "baladeiro". Embora os dois estejam presos a multas rescisórias altas e tenham se comprometido a ficar no clube ao menos até a Copa de 2014, existe o temor de que a história de Kaká se repita e ambos forcem a situação para deixar o Morumbi.

O atacante é quem mais preocupa por sua dificuldade em assimilar críticas mais veementes. Logo após a partida ele recorreu ao Twitter para desabafar. "Tá osso" e "Não há mal que não termine" foram duas das mensagens postadas por Lucas, que foi ovacionado há poucos dias ao fazer o gol que deu a vitória sobre o Coritiba no primeiro jogo da semifinal na Copa do Brasil.

Quando foi criticado por Leão por ser muito individualista, o jogador acusou o golpe e foi muito mal nos jogos seguintes. "Não sei se o Lucas sente mais os apelos negativos da torcida, é um atleta jovem, de seleção brasileira, precisa se sentir contente com o que conseguiu até agora e externar esse contentamento por meio de um bom futebol", afirmou o treinador.

Pessoas próximas ao jogador afirmam que ele continua feliz no clube, mas que episódios como o do último sábado podem mudar sua cabeça caso se tornem corriqueiros. O assédio cada vez maior de clubes europeus como Real Madrid, Paris Saint-Germain e Chelsea pode ser o ingrediente final para o garoto rever sua ideia de continuar no Morumbi até a Copa de 2014.

Com Casemiro a história é um pouco diferente. Apesar de ninguém contestar seu talento, os altos e baixos frequentes irritam a diretoria, que também o considera muitas vezes deslumbrado com a fama e vê os reflexos em campo do que muitos chamam de firula. O próprio Leão muitas vezes perde a paciência com o pupilo, embora sempre o elogie. Não são poucos os que defendem sua negociação assim que chegar uma proposta, mas o presidente Juvenal Juvêncio acredita que pode vendê-lo valorizado após a Olimpíada. O clube recusou proposta de € 8 milhões (R$ 20 milhões) no início do ano.

A expectativa é que a semana livre ajude a diminuir a pressão. O próximo jogo é só no sábado, contra o Cruzeiro. Como a partida é fora de casa, Lucas e Casemiro terão a oportunidade de reagir sem as vaias. Se a vitória vier, a missão dos dois jovens vai ser mais fácil. Caso contrário, será preciso maturidade para aguentar o furacão.

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