Pressões devem levar Fifa a inchar evento-teste

Copa das Confederações, em 2013, pode ter jogos em até sete cidades, para atender pedidos [br]das ''sedes menores''

Almir Leite e Sílvio Barsetti / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2011 | 00h00

A pressão das sedes menos favorecidas levou o Comitê Organizador Local (COL) a convencer a Fifa a adiar para outubro o anúncio das cidades que receberão jogos da Copa das Confederações em 2013. E o número de locais deve aumentar. Em vez das cinco praças normalmente utilizadas, a competição no Brasil pode ser disputada em até sete cidades.

A Copa das Confederações será realizada de 15 a 30 de junho. O anfitrião Brasil e o Uruguai, campeão da Copa América 2011, além da Espanha, campeã mundial, o México, campeão da Copa Ouro estão garantidos. O torneio terá oito seleções e faltam ainda os campeões da Europa, Ásia, África e Oceânia. "Ainda não estão decididas as seis ou sete sedes (da competição). Isso é bom, porque significa que teremos até sete estádios prontos em 2013"", disse ontem, na Marina da Glória, no Rio, o secretário-geral da Fifa, Jérome Valcke. "Vamos divulgar em 20 ou 21 de outubro.""

Ele justificou a "indecisão"" com o avanço das obras de vários estádios. O motivo, porém, é outro. A intenção inicial da Fifa era divulgar as cidades escolhidas para o evento -teste da Copa de 2014 amanhã. As cinco favoritas eram Rio, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre e Salvador - São Paulo está fora, castigada pela demora em viabilizar o Itaquerão. Mas algumas pequenas querem receber partidas do torneio.

Entre as cidades que pleiteiam participar da Copa das Confederações estão Fortaleza, Manaus e Recife. O raciocínio é simples: não vão receber a seleção brasileira em 2014 e correm até o risco de, na Copa do Mundo, ficarem na festa apenas até as oitavas de final. Por isso, ser integrante da competição de 2013 pode representar a chance de hospedar o Brasil ou alguma seleção de alto nível. É um bom negócio financeiramente e para a imagem da cidade.

Um dos estados que brigam pela Copa das Confederações é o Ceará. "Sabemos que a Fifa tem muitas opções, mas estamos na briga. Queremos, sim, o torneio e estaremos prontos", disse ao Estado o secretário da Copa, Ferrucio Feitosa.

Ele pretende apresentar amanhã à Fifa posição sobre as obras do Castelão. "No momento, estão 23,9 % concluídas. Em dezembro, teremos de 45 a 50% e tudo estará finalizado até o fim de 2012"", garantiu, no último dia 18. No balanço a ser mostrado à entidade, o índice de conclusão deve atingir 30%.

A Arena Pernambuco é outra candidata à Copa das Confederações, revelou integrante do comitê local. As obras no estádio estão atrasadas em relação ao cronograma traçado, mas os pernambucanos já fizeram chegar sua vontade ao COL.

Oficialmente, porém, nenhuma cidade admite fazer pressão sobre os organizadores do Mundial. Dizem apenas que expressam sua vontade. O COL também não reconhece estar sendo pressionado, mas tem dificuldades para contentar a todos.

Boas novas. Dentro da tática "morde e assopra"" adotada pela Fifa em relação ao andamento das obras da Copa no Brasil, ontem, no Rio, foi dia de assoprar. "Vemos que há algo para ser feito, mas recebemos informações do comitê local que nos deixam tranquilos e satisfeitos"", disse Valcke. O dirigente elogiou especialmente São Paulo, embora reiterasse que apenas em outubro será divulgado o estádio que abrigará a abertura da Copa de 2014. "As obras começaram e temos as garantias financeiras. Agora há mais confiança"", garantiu.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, explicou os motivos das broncas ocasionais ao Brasil. "De vez em quando precisamos chamar a atenção da organização", declarou.

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