'Prestigiado', Mano não pode falhar

Ainda sob os efeitos da derrota na Olimpíada de Londres, Brasil tem de vencer o amistoso diante da Suécia para dar paz ao treinador e aos jogadores

MATEUS SILVA ALVES, ENVIADO ESPECIAL / ESTOCOLMO, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2012 | 03h06

Os jogadores não queriam, muito menos Mano Menezes, mas hoje eles vão ter de fazer o sacrifício de defender a seleção brasileira no amistoso contra a Suécia, às 15h (horário de Brasília), em Estocolmo, apenas quatro dias depois da gigantesca decepção vivida na decisão da medalha de ouro na Olimpíada de Londres. E o treinador tem um motivo a mais para considerar essa partida inconveniente, além do previsível clima de abatimento que tomou conta de sua equipe: uma derrota hoje, ainda que a partida nada valha, aumentará a pressão sobre ele, que já é grande.

Mano voltou à situação em que estava antes dos amistosos contra Dinamarca, Estados Unidos, México e Argentina, entre o fim de maio e o começo de junho. O que significa dizer que seu trabalho é muito questionado pela torcida e pela imprensa do Brasil e que não param de surgir rumores de que a CBF está à procura de um outro treinador, por mais que o presidente da entidade, José Maria Marin, e outros dirigentes se esforcem para dar demonstrações de apoio ao técnico gaúcho.

Falar sobre a pressão que pesa sobre seus ombros não é algo que agrade a Mano, especialmente porque ele diz ter ouvido "muitas besteiras" sobre a derrota do Brasil para o México e sobre seu trabalho. Sua prioridade agora, segundo ele mesmo, é levantar o moral de seus jogadores e conseguir uma vitória que diminua pelo menos um pouco o sofrimento causado pela perda da medalha de ouro olímpica.

"Conversei com os jogadores antes do nosso primeiro treino (na segunda-feira) e disse a eles que é preciso ter a capacidade de reagir rapidamente, ainda mais na seleção", falou o treinador. "Nós só temos de jogar bem, como fizemos nos amistosos antes da Olimpíada, e não nos preocuparmos com nada mais do que isso."

Quanto ao time, Daniel Alves reassumirá sua condição de titular absoluto da lateral direita. No meio da zaga, David Luiz vai jogar ao lado de Thiago Silva, o jogador do Chelsea ganhou a disputa com Dedé, do Vasco.

E o meio de campo terá a entrada de Paulinho e Ramires, com a saída de Sandro e o deslocamento de Alex Sandro para a lateral esquerda, já que Marcelo não vai jogar por estar suspenso (foi expulso no amistoso contra a Argentina, em junho). Ramires jogará aberto pelo lado direito, como vem fazendo com sucesso no Chelsea, e Paulinho terá preocupações defensivas maiores do que no Corinthians, pois a seleção não terá um volante tão forte na marcação quanto Ralf.

Mano acredita que a entrada desses jogadores tornará a Seleção mais forte. "Eles acrescentam qualidade e anos de futebol à equipe. É claro que isso nos fará crescer."

Sabendo que uma vitória dará tranquilidade à seleção (e uma derrota aumentará a tormenta), os jogadores encaram o amistoso como se fosse um jogo de campeonato, conforme deixou bem claro o capitão Thiago Silva.

"Para nós não tem nada de clima de festa. A gente que joga sabe que de amistoso esse jogo não tem nada, ainda mais depois do que aconteceu na Olimpíada."

Último ato. A festa a que ele se referiu é a despedida do Rasunda, palco da final da Copa do Mundo de 1958, que será demolido. Por esse motivo, a seleção vai usar uma camisa azul muito semelhante à usada pelo time na decisão do Mundial sueco.

"É legal usar essa camisa para mostrar a caminhada dos que fizeram a história da seleção. Vou guardar a camisa e colocá-la em um quadro", revelou Thiago.

Agora que a Olimpíada acabou, o jogo de hoje será a primeira da seleção pensando apenas na Copa de 2014. O foco mudou. O tempo está mais curto para os jogadores e o Mano.

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