''Pretendo ficar no Brasil, é minha prioridade''

Após decepção pelo fim do Osasco, a melhor atacante na conquista do ouro em Pequim diz que a situação do esporte é preocupante

Bruno Deiro, O Estadao de S.Paulo

23 de abril de 2009 | 00h00

Paula Pequeno, 27 anos, levou um susto com o fim repentino do Osasco, clube que defendia havia 11 temporadas. Ainda decepcionada com a quarta derrota consecutiva em finais da Superliga, a atacante demonstra preocupação com o futuro do vôlei feminino no Brasil. De acordo com a campeã olímpica em 2008, mercado não é problema. Melhor jogadora do torneio olímpico de vôlei em Pequim, no ano passado, Paula tem lugar em qualquer equipe do mundo. Apesar das propostas do exterior, ela garante que sua prioridade é continuar no Brasil. Mesmo que tenha de deixar o clube que a projetou e foi responsável pelos principais títulos de sua carreira (tricampeã da Superliga e heptacampeã paulista). Ela ainda tem esperança de que surjam patrocinadores para a próxima temporada e aposta em novas parcerias entre prefeituras e empresas. Como você recebeu a notícia do fim do patrocínio e a extinção da equipe adulta do Osasco?Levei um susto na hora, foi um baque muito grande. A situação do vôlei feminino no Brasil é realmente preocupante. O Osasco era o maior time entre todos, com a melhor estrutura do País, foi um abalo geral, tanto para a torcida quanto para jogadoras e comissão técnica. Como reagiram as outras atletas, especialmente as de menos projeção do que você?Estou muito preocupada com todas elas, não sei se estavam preparadas para ficar sem a opção de jogar no Osasco na próxima temporada. A pergunta agora é: onde vamos colocar todas essas meninas? Especialmente agora, que estamos sem duas equipes grandes, com a confirmação da saída da Brasil Telecom do Brusque. Seu primeiro impulso foi o de procurar ofertas fora do País?Tenho pretensões de ficar no Brasil, essa é a minha prioridade no momento. Mas, se tiver de sair, não quer dizer que eu fugi, abandonei o problema. Já recebi propostas muito boas de fora, graças a Deus. Ficou uma decepção por ver o vôlei feminino nessa situação um ano após o sucesso na Olimpíada ?No momento, realmente sinto a perda do clube, ainda estou digerindo a derrota na final da Superliga e a notícia da extinção da equipe adulta. Mesmo se eu não ficar, vou continuar preocupada com esse problema. Essa situação é injusta com o País, que há menos de um ano foi ouro em Pequim. Já existe alguma negociação em andamento?Tenho um empresário e minha situação não deve demorar a ser resolvida. Tenho esperança de que apareçam empresários dispostos a investir para manter a força do esporte em competições nacionais, é uma boa oportunidade. Não tenho preferência por Estado, nem marca.O surgimento de novos clubes a cada temporada prejudica a identificação com a torcida?Acaba sendo uma preocupação, mas temos de pensar na oportunidade para novas prefeituras e empresas. Temos de ver a situação sob os olhos dos empresários. As outras campeãs olímpicas que atuavam no Osasco já têm propostas de fora do País e podem ir jogar no exterior?Acho que sim, acredito que algumas jogadoras já receberam propostas de fora e podem buscar clubes em outros países.

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