Pretinha: "Desta vez ganharemos medalha"

A atacante Delma Gonçalves, de 29 anos, mais conhecida por Pretinha, aposta que, desta vez, a seleção brasileira de futebol feminino vai ganhar uma medalha. Em 1996, em Atlanta, e em 2000, em Sydney, faltou bem pouco - o time terminou em 4º lugar. Agora, mais unida e mais experiente, a equipe tem boas possibilidades, até, de brigar pelo ouro. Após a goleada sobre a Grécia por 7 a 0, na terça-feira, o Brasil enfrentará, já pelas quartas-de-final, o México, sexta-feira, em Patras. Pretinha, que atuou por três anos nos Estados Unidos, fez o primeiro gol contra a Grécia e é um dos destaques da seleção dirigida por René Simões.AE - Acha que o Brasil pode ganhar uma medalha?Pretinha - Desta vez vem medalha. Sabemos que não será fácil, mas temos grandes condições de levar a medalha. Infelizmente, em 96 e em 2000, não deu, mas agora vai dar.AE - Tem alguma idéia de qual será seu futuro? Tenho recebido algumas propostas, mas agora só estou pensando na Olimpíada. Não estou preocupada com isso agora. Quero ter uma grande participação nos Jogos para poder ajudar o futebol feminino a crescer novamente no Brasil.AE - Você estava nos Estados Unidos. E, agora, não tem emprego?A Liga Americana acabou na metade do ano passado e não voltou em 2004. Por isso, não continuei lá. Eu me machuquei em 2003 e fiquei parada 9 meses. Rompi o ligamento cruzado do joelho direito (num amistoso contra os Estados Unidos, em 13 de julho de 2003), mas consegui me recuperar para a preparação para a Olimpíada. Não poderia ficar fora dos Jogos. Tive de me dedicar muito para voltar a jogar. Depois daqui, quero tirar um tempo para relaxar antes de voltar ao trabalho.AE - Teve oportunidade de estudar na infância e na adolescência?Consegui estudar até a 6ª série do Primeiro Grau. Mas depois tive de parar. Foi em 91, quando disputei meu primeiro Mundial. Aí não tive oportunidade de retomar, por causa da carreira.AE - Mas o futebol feminino dá boas condições? Você consegue viver bem com o que ganha no esporte?Vivo do esporte, não tenho do que reclamar do que ganho jogando futebol. Comprei uma casa, consegui ajudar a família. Não tenho luxo, mas levo uma vida tranqüila. Na verdade, vivo de acordo com o que ganho. Aprendi que não se pode gastar mais do que se recebe e, assim, posso me manter.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.