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Por uma dessas coincidências das tabelas da vida, Santos e Palmeiras encontram-se domingo à tarde, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro. Fora a história rica de rivalidade entre ambos, o jogo vale pela reta final da corrida pelo quarto lugar e pelo direito a vaga para a fase preliminar da Libertadores. O clássico não será daqueles desperdícios de quando se desafiam equipes sem chance de título.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2015 | 02h03

Eis aí a palavra mágica: título. A partida deste final de semana não conta para atingir o topo da principal competição nacional, mas funciona como tira-gosto para a decisão de outra taça - a Copa do Brasil -, que terá santistas e palestrinos como protagonistas. Chance para Dorival Júnior e Marcelo Oliveira observarem de perto e na prática manhas e limitações de respectivos adversários.

O leitor prudente fará a objeção de que se trata de torneios distintos, com características próprias - um premia regularidade e planejamento de longo prazo, o outro dá espaço para eficiência e autocontrole, sobretudo se houver necessidade de pênaltis. De acordo. Os times, porém, são os mesmos, com ligeiras variações nas escalações, fora o imponderável, pois as finais serão em 25 de novembro e 2 de dezembro. Até lá, o momento de cada um pode apresentar-se diverso do de hoje.

Agora, já, nestes dias, existe consenso de que o Santos está melhor - constatação indesmentível e que o torna favorito diante do Palmeiras. Dorival Júnior ajustou a rapaziada de tal forma que é notável o equilíbrio entre a defesa e o ataque, com a regência do meio-campo a funcionar como fiel da balança. Os confrontos com o São Paulo nas semifinais da Copa do Brasil expuseram à perfeição essa combinação de leveza e consistência. O massacre de anteontem não foi maior porque o Santos claramente tirou o pé do acelerador, não quis desgastar-se à toa.

O Santos não foi arrasador apenas contra os tricolores. Salvo uma ou outra derrapada, faz tempo que sobe na tabela da Série A, como desdobramento do crescimento de gente como Lucas Lima, Gabriel, Marquinhos Gabriel, Ricardo Oliveira, Vanderlei, Renato... Tem sido fácil para o torcedor alvinegro escalar o time dele. O Santos desfigurado e feio de início de campeonato encorpou e virou formoso.

O Palmeiras nem tanto. Assim que Marcelo chegou ao Parque para substituir Oswaldo de Oliveira agiu bem, ao optar por escolher os jogadores que considerava titulares; logo vieram os bons resultados. Com o tempo, alguns caíram de produção, outros se machucaram e o técnico passou a mexer muito. Desandou, e agora é difícil cravar quem é o dono de cada posição.

O sistema defensivo também ficou mais exposto e abalado pela oscilação do meio-campo. Os riscos saltaram aos olhos diante do Fluminense e a eliminação só não vingou porque Prass fez milagre nos acréscimos do segundo tempo ao tirar com os pés bola chutada por Fred à queima-roupa.

Para complicar, o fôlego verde parece mais curto, mesmo com Marcelo Oliveira tendo apelado para rodízio no Brasileiro. O adiamento do primeiro jogo da final, inicialmente previsto para a semana que vem, pode ajudar o Palmeiras. Mas lhe falta recuperar a aura vencedora para anular o entusiasmo que ronda o rival. Como o jogo de encerramento será no Allianz Parque, é possível sustentar otimismo - desde que não suba a serra com uma surra e tanto.

Interrogação. O São Paulo não perdeu o rumo, na quarta-feira, porque o Santos foi bonzinho. Dorival apelou para esquema atrevido, começou com três atacantes e meio-campo mais criativo. Na teoria, era o que lhe cabia para pressionar e criar o suficiente para compensar os 3 a 1 sofridos no Morumbi. Na prática, nada funcionou, outra vez peças importantes negaram fogo e 2015 passa em branco. O São Paulo acumula jejum nas últimas sete temporadas (exceto pela Sul-Americana de 2012) e terá de mexer muito para 2016. Com ou sem Doriva.

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