Lucas Figueiredo/CBF
Lucas Figueiredo/CBF

Primeira seleção feminina de beach soccer disputa Jogos Mundiais de Praia no Catar

Modalidade ainda é amadora no País e torneio pode impulsionar formação de novas equipes

Daniele Bellini, especial para o Estado

11 de outubro de 2019 | 04h30

O beach soccer brasileiro tem pela primeira vez na história uma seleção feminina. O time foi impulsionado pela participação do País no primeiro Jogos Mundiais de Praia, que serão disputados entre esta sexta-feira e o dia 16 em Doha, no Catar. O evento multiesportivo contará com 17 modalidades, sendo seis na praia (handebol, karatê, futebol, tênis, vôlei e wrestling), seis na água (kitesurfe, natação, longboard, surfe, wakeboard e esqui aquático) e cinco de ação (aquatlon, basquete 3×3, boulder, BMX freestyle e skate).

Os 26 anos que separam o início do beach soccer no País à criação da equipe nacional feminina não é uma exclusividade brasileira. “O movimento do beach soccer feminino como um todo demorou para acontecer. Não foi só o Brasil. A Itália, por exemplo, tem uma das melhores ligas femininas, mas não tem seleção nacional”, diz Marcelo Mendes, diretor de futebol feminino da Confederação de Beach Soccer do Brasil (CBSB).

Para encarar o desafio de montar o primeiro time feminino da modalidade, a CBSB nomeou Fabrício Santos como técnico. Com 19 anos de experiência em times compostos por mulheres, o carioca já foi campeão brasileiro, em 2017, com o Vasco da Gama/Geração-RJ, e vice-campeão, em 2018, com o Geração-RJ. “É uma realização profissional, um sonho e sei da responsabilidade, de tudo que precisamos para atingirmos todos os nossos objetivos.”

Durante este ano o treinador trabalhou na Itália e acompanhou algumas competições europeias que contaram com a participação de jogadoras brasileiras. A atuação de atletas no continente é comum no esporte. “Meu critério para convocação das 10 meninas foi usar como base atletas que já estavam jogando lá fora. Como estamos iniciando um projeto, acredito que essa experiência de competição fará diferença nesse primeiro momento”, comenta Fabrício.

O diretor de futebol feminino da CBSB explica que no verão europeu várias atletas do Brasil jogam na Europa. “Itália, Rússia e Polônia são os principais destinos. Depois dos Jogos Mundiais, por exemplo, sete de nossas atletas vão para a Turquia jogar um campeonato. Mas durante o verão brasileiro - inverno europeu - todas estarão por aqui jogando campeonatos estaduais e nacionais.”

Entre as convocadas, os destaques são a capitã Jasna Nagel, uma das mais experientes e com passagem pela seleção brasileira de campo, a defensora Bárbara Colodetti, primeira estrangeira a ter atuado e se tornado campeã no Campeonato Russo, um dos mais fortes do mundo, e a atacante Adriele, eleita a terceira melhor jogadora do mundo em 2018.

Para Jasna, o beach soccer feminino vive um grande momento. “Hoje temos campeonatos nacionais e regionais. Uma confederação que alavancou o futebol feminino. Com a formação dessa seleção, estamos muito mais visíveis, isso abre uma janela de oportunidade de mídia, de investimento e de participação das pessoas. O que a gente espera agora é a continuidade desse projeto e, quem sabe, organizar um calendário de competições.”

Bárbara também confia que a formação da seleção pode auxiliar na criação de um calendário permanente de torneios. “Acredito que nossa modalidade só tem a crescer. Que cada vez mais meninas se interessem e sigam o caminho do esporte, se espelhando na seleção. E que tenhamos mais campeonatos e investimentos no feminino.”

Um dos maiores desafios em treinar uma seleção que nunca jogou como equipe antes é conter a empolgação do pioneirismo e Fabrício Santos diz estar atento a isso. “Nesse primeiro momento existe muita empolgação, realização pessoal e acredito que seja um dos pontos que eu preciso equilibrar. Precisamos nos concentrar no nosso propósito, que é transformar as meninas em um time.”

Mesmo com a formação recente da equipe, o técnico acredita na possibilidade de medalha para o País. “Não dá para pensar em algo diferente, mas sabemos que não será fácil, entendemos que nesse momento um ponto importante é fazer com que essa seleção tenha continuidade."

O beach soccer feminino no Brasil ainda é um esporte amador. “Temos equipes como Flamengo-RJ, Boavista-RJ, Botafogo-RJ, Rio Branco-ES, mas de forma amadora. Além desses times, no Nordeste temos muitas equipes que trabalham forte, como a União Desportiva Alagoana (UDA), atual campeã brasileira”, explica o diretor de futebol feminino da CBSB, Marcelo Mendes.

A modalidade tem algumas marcas importantes no País, como o primeiro Campeonato Carioca, realizado em 1996, e a criação da Confederação de Beach Soccer do Brasil, em 2015, quando as mulheres ganharam mais espaço no calendário nacional. Destaque para o Campeonato Brasileiro, realizado nos anos de 2017 e 2018. Segundo a CBSB, estima-se que o número de mulheres praticando futebol de areia por clubes federados ultrapasse a quantidade de mil atletas. Os estados do Rio de Janeiro, Manaus e Espírito Santo possuem os atuais campeões, vice e terceiro lugar da 1ª Copa de Seleções Estaduais de Beach Soccer, realizada em agosto.

SELEÇÃO FEMININA NOS JOGOS MUNDIAIS DE PRAIA

O Brasil está no Grupo A e fará sua estreia nesta sexta-feira contra Cabo Verde. No domingo, o duelo será contra o México e, para fechar a fase de classificação, a seleção brasileira enfrentará a Espanha na segunda-feira. No Grupo B estão Grã-Bretanha, Rússia, EUA e Paraguai. Os dois mais bem colocados de cada chave disputarão as semifinais, no dia 15. A definição da seleção campeã ocorrerá no dia 16.

Confira a lista de atletas:

GOLEIRAS: Natalie (Flamengo-RJ) / Lelê Lopes (Rio Branco-ES)

DEFENSORAS: Jasna (Flamengo-RJ) / Dani Barboza (Flamengo-RJ) / Bárbara Colodetti (Rio Branco-ES) / Noele (Rio Branco-ES)

ATACANTES: Adriele (Sampaio Corrêa-MA) / Lelê Villar (Rio Branco-ES) / Lorena (Boavista-RJ) / Nayara (UDA-AL)

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