Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Primeiro jogo de rúgbi no estádio do Pacaembu tem público de mais de 10 mil pessoas

Brasil perde para a Alemanha por 31 a 7 em amistoso

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

04 Dezembro 2015 | 23h14

Parecia jogo de futebol. Mas não era. O estádio do Pacaembu, em São Paulo, recebeu pela primeira vez em sua história um jogo de rúgbi, modalidade que tenta se tornar popular no Brasil. O duelo entre Brasil e Alemanha, com vitória para os germânicos por 31 a 7, pouco importou. A próxima partida da seleção será contra a Colômbia, dia 12, no Canindé, pela repescagem do sul-americano.

O que se viu no evento inédito na arena paulista foi um clima de alegria nas arquibancadas e um recorde para o esporte no País. Segundo os organizadores, 10.480 torcedores estiveram presentes no estádio para ver o duelo. Esse é o recorde em uma partida de rúgbi no Brasil, superando as 5 mil pessoas que foram na Arena Barueri para a final do Super 10 de 2013, entre SPAC e Pasteur.

O ingresso era a doação de um livro em bom estado. "Sempre tentamos fazer algo que tenha um cunho social", explica Agustín Danza, CEO da CBRu (Confederação Brasileira de Rugby), feliz da vida por ver muitas mulheres e crianças, o que não é tão comum em jogos de futebol.

Logo na praça em frente ao estádio, filas se formavam para trocar livros por entradas. "Eu trouxe 15 livros, para que todos os amigos pudessem entrar. Acho até que vai faltar livro", contou Luciano Barbosa de Sousa, que pratica o rúgbi há um ano. "Estamos montando o Guarulhos Rugby, com apoio da prefeitura de lá", afirmou.

Ele se disse surpreso com a quantidade de pessoas que aproveitaram a noite de sexta-feira para ver uma partida de rúgbi no charmoso estádio. "O esporte não é muito divulgado no Brasil, mas sei que existem muitos fãs de rúgbi", comentou.

Já o casal Artur Távola e Giovana Carvalho estavam empolgados por assistir pela primeira vez a um jogo de rúgbi. "Meu filho sabia do jogo, falou para a gente vir e estamos aqui. Não entendo muito bem, mas como ele está querendo jogar, viemos ver", contou Giovana. Artur também se mostrava animado. "Já vim ao Pacaembu muitas vezes, para show, jogos de futebol, até na feirinha. Que bom que podemos ver o rúgbi."

Como em grandes eventos no estádio, tinha fila para entrar e os flanelinhas corriam atrás dos carros para ganhar alguma coisa a fim de "olhar os veículos". Mas a CBRu também fez a ativação de patrocinadores na praça principal e os fãs podiam comer em foods trucks, beber e se divertir antes de entrar. Camisas de rúgbi eram maioria, mas muita gente também colocou uniformes de seus times de futebol do coração.

Em um espaço montado pela Topper, os torcedores podiam tentar acertar a bola de rúgbi em buracos. Se conseguissem, ganhavam mini-bolas ou chaveiros. "Está sendo um sucesso, pois tem muita gente querendo participar da brincadeira. Mesmo para quem já pratica a modalidade não está sendo fácil acertar", disse Tiago Granito, um dos responsáveis pelo espaço.

Além dos torcedores comuns, algumas celebridades marcaram presença, como a tenista veterana Maria Esther Bueno, o nadador paralímpico Daniel Dias e o medalhista olímpico Gustavo Borges. Eles posaram para fotos com a tocha dos Jogos do Rio, em 2016, que foi levada por outro patrocinador, o Bradesco.

No final, a derrota do Brasil não desanimou os torcedores, que deixaram o estádio em clima de tranquilidade e com um gostinho de "quero mais". A primeira partida de rúgbi no Pacaembu entrou para a história, e a expectativa é que outros duelos ocorram no estádio, como contra Argentina ou Estados Unidos no próximo ano.

NOTA TRISTE

Logo no início da partida, o brasileiro Matias sofreu uma fratura na perna após choque com um adversário. A equipe médica entrou em campo e precisou imobilizar o local. Ele foi encaminhado para o Hospital das Clínicas de São Paulo para passar por exames.

DESPEDIDA

Após o fim da partida, o capitão da seleção brasileira, Fernando Portugal, anunciou sua despedida dos gramados. Apesar de ser uma das referências da equipe, o jogador de 34 anos disse que o desgaste de seu corpo não permite mais que ele atue em alto rendimento.

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