NILTON FUKUDA/ESTADÃO
NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Principais candidatos ao governo de São Paulo prometem pouco ao âmbito esportivo

Projetos de campanha apresentados dão poucos detalhes para o segmento

Clara Rellstab e Luiza Leão, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2018 | 13h52

Para que mais histórias como a da atacante Marta - eleita seis vezes a melhor do mundo -, e a do pugilista Robson Conceição - ouro na Rio-2016 e invicto na carreira -, deixem de ser exceção entre os destaques no esporte brasileiro, é preciso que políticas públicas efetivas sejam implementadas. No entanto, em seus planos de governo, os postulantes à chefia do executivo do Estado de São Paulo ainda dão pouco destaque para o segmento.

Líder na última pesquisa Ibope, divulgada quarta-feira, o candidato João Dória (PSDB) é o postulante mais bem colocado no critério "falta de detalhes" nas estratégias para o esporte entre os quatro mais bem colocados no estudo sobre a corrida eleitoral. Segundo levantamento do Estado, o ex-prefeito da capital paulista aponta a "queda de receita" da máquina estatal, com dificuldades de fechar parcerias com a iniciativa privada, por exemplo, como responsável pela falta de desenvolvimento de modalidades esportivas.

Ainda que ressalte que "o esporte contribui para a formação integral do jovem, além de estimular valores cívicos e de cidadania", o tucano destrincha, no plano de governo, apenas que "é necessária a introdução da iniciação esportiva na vida da população, como fator de inclusão social e de melhoria da qualidade de vida". Sem detalhar como ou quando, Dória cita os benefícios da prática esportiva na evasão escolar, no fortalecimento da consciência em formação, incentivo ao estudo e importante fator no combate às doenças crônicas ocasionadas pelo sedentarismo. Suas atenções ao esporte na campanha se resumem a isso.

Segundo colocado nas intenções de voto, Paulo Skaf (MDB) sugere a implementação do Programa Atleta Do Futuro - desenvolvido pela rede SESI (Serviço Social da Indústria) de ensino -, para toda a rede estadual. Dentro da iniciativa, o emedebista se compromete a criar um sistema de formação esportiva no qual crianças e jovens tenham acesso "aos mais diferentes tipos de modalidades esportivas". Skaf propõe ainda incentivar a prática de esportes paralímpicos e conceder bolsas-auxílio aos atletas - caso seja eleito, o candidato garante modificar a legislação que proíbe o acúmulo do benefício junto ao patrocínio.

Quando considerado o número de vezes em que a palavra "esporte" aparece no programa de todos os candidatos a chefe do Estado - deixando de lado índices e títulos presentes nos documentos -, Skaf, que a utilizou 17 vezes, só perde para a Professora Lisete (PSOL), em quantidade de citações. Ela fez uso da palavra por 21 vezes.

Com 14% da preferência do eleitorado entrevistado na pesquisa, Márcio França (PSB) divide as propostas de "democratização do Esporte" em 13 itens, organizadas de modo a "causar impactos profundos" na vida dos indivíduos. "Melhorando a saúde e o desempenho escolar, como na vida comunitária, reduzindo a violência e promovendo a inclusão." Para isso, sustenta a construção e reforma de praças esportivas - e a adequação destas para os atletas paralímpicos -, organizar olimpíadas estudantis no Estado e incentivar a atividade física na terceira idade.

Ainda que 87% da verba destinada ao Ministério do Esporte tenha sido cortada na Lei Orçamentária Anual (LOA) deste ano, França atesta a concessão do Bolsa-atleta e de outros programas de auxílio, o desenvolvimento de uma Bolsa Talento Esportivo e a efetivação da Lei Paulista de Incentivo ao Esporte - que vigora desde 2010.

Quantidade de vezes que os candidatos citam a palavra "esporte" no plano de governo, desconsiderando títulos e índice

João Dória (PSDB)  - 3

Paulo Skaf (MDB)  - 17

Márcio França (PSB) - 10

Luiz Marinho (PT) - 11

Major Costa e Silva (DC) - 1

Professora Lisete (PSOL) - 21 vezes

Marcelo Candido (PDT) - 1

Rodrigo Tavares (PRTB) - 2

Toninho Ferreira (PSTU) - 0

Rogerio Chequer (NOVO) - 4

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