Lucíola Vilela/Estadão
Lucíola Vilela/Estadão

Problemas financeiros na preparação dos Jogos do Rio podem comprometer evento

Cidade e organizadores falham em completar a meta de patrocinadores para a competição em 2016

Jamil Chade, correspondente em Zurique, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2013 | 07h15

LAUSANNE - A preparação dos Jogos Olímpicos do Rio sofre problemas financeiros que poderão comprometer o evento se não forem rapidamente superados. Documentos secretos preparados pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) revelam que, numa avaliação do orçamento dos Jogos, parte dos custos foram transferidos para o governo, já num sinal de que os organizadores optaram por solicitar maior participação de recursos públicos para garantir as obras no evento. A cidade não conseguiu ainda completar a meta de patrocinadores para a competição e o COI recomenda até mesmo que o Rio comece a preparar um plano alternativo caso o orçamento previsto não consiga ser financiado.

"Até agora, o Rio 2016 atingiu aproximadamente 60% (de contratos de patrocinadores) diante de uma meta de patrocínio ambiciosa", alertou o COI. "O Rio deve estudar seu plano de atividades para a geração total de renda (patrocínio, licenciamento e ingressos) diante do orçamento geral dos Jogos Olímpicos para entender o impacto do déficit na entrega do eventos e de suas operações."

Numa das avaliações, o COI deixa claro que existe uma "pressão no fluxo de caixa como resultado do adiamento da assinatura de acordos de patrocínio". O impacto tem sido claro em alguns setores. Ainda segundo o COI, o contrato de financiamento da Vila Olímpica está atrasado. Há também um atraso no programa de seguros para o evento diante da escolha tardia de uma empresa para realizar o trabalho.

Nas instalações esportivas, haveria um atraso na contratação de especialistas para planejar os aspectos de energia "por conta de pressões financeiras". Outro impacto tem sido na organização dos Jogos Paralímpicos. Existiria uma "falta de planejamento de marketing" e isso poderia ter consequências para a própria realização da competição". Parte do problema ainda vem do governo. Segundo o COI, a garantia do governo brasileiro para o Acordo de Transmissão "ainda está pendente".

GOVERNO

O COI não poupa críticas ao governo brasileiro. Mas deixa claro que, numa revisão dos orçamentos, os governos foram chamados a socorrer em parte o evento com dinheiro público. Num dos trechos do documento, o COI admite que o segundo orçamento realizado para os Jogos Olímpicos tem como base o fato de que há uma "mudança de responsabilidades financeiras e de obras para os governos". O texto não cita os valores nem do primeiro nem do segundo orçamento da Olimpíada.

De acordo com os documentos sigilosos, a matriz de responsabilidade "ainda precisa ser finalizada". Para o COI, ainda é necessário que se esclareçam as atividades que serão "conduzidas e financiadas pelo governo".

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