'Problemas internos prejudicaram o Palmeiras

'Problemas internos prejudicaram o Palmeiras

Ele elogia o seu trabalho feito como dirigente no palestra itália

Entrevista com

Daniel Akstein Batista, O Estadao de S.Paulo

25 de março de 2010 | 00h00

Ex-zagueiro e ex-gerente de futebol do Palmeiras, Toninho Cecílio vive agora momentos menos conturbados. Cansado das injustiças no Palestra Itália, pediu demissão no mesmo dia em que Muricy Ramalho foi dispensado do clube: 18 de fevereiro. Aos 42 anos, retoma a carreira de treinador que havia dado uma pausa para trabalhar como dirigente do Palmeiras. No Grêmio Prudente (ex-Barueri) soma duas vitórias (Paulista e Corinthians) e hoje tenta outra contra o Mogi Mirim. Em entrevista ao Estado, o agora técnico fala sobre suas pretensões na profissão e sobre o fracasso do Alviverde em 2009. "O planejamento foi mesmo um dos melhores, mas aí apareceram problemas internos", contou. "Houve um desgaste injusto."

Por que resolveu voltar a ser treinador?

Depois de sair do Palmeiras, os diretores Diego Cerri e Rodrigo Pastana me convidaram. Aceitei o convite do Prudente por achar ser uma grande oportunidade. Hoje não tem nenhuma possibilidade de eu voltar a ser dirigente - só aceitei sair do Guaratinguetá porque era o Palmeiras. Vou abraçar a carreira de treinador.

Ninguém mais te chamou para ser diretor?

Oficialmente recebi dois convites para seguir como dirigente e duas sondagens para ser técnico, mas era para o futuro. Só posso dizer que não vou ser apenas mais um treinador no mercado, serei diferente, vencedor.

Mas vai fazer um trabalho diferenciado com os atletas?

É difícil ter um modelo diferente. Aliás, quero ser o mais simples possível. Mas tenho meu ponto forte: a linguagem. Sei como me dirigir ao elenco. E não vou errar no comando nunca.

Foi complicada a transição de dirigente para técnico?

Não foi difícil, eu me adapto rápido às situações. Ainda vou enfrentar dificuldades.

Qual é seu objetivo atual no Prudente?

A minha meta bem clara é entrar no G-4 e, se conseguirmos, vamos buscar o título. É claro que existem elencos com qualidade superior à do nosso, mas nosso grupo é unido, tem muita disposição e sabe assimilar rapidamente as mudanças de tática durante o jogo.

É mais calmo trabalhar no Prudente do que no Palmeiras?

Eu sempre gostei de pressão, em trabalhar em time grande. Isso até me faz bem. Aqui é diferente, o ambiente hoje é mais leve, mas eu tenho a minha própria cobrança, preciso conseguir os resultados logo. Não posso deixar passar esta oportunidade. E a pressão no Palmeiras nunca me incomodou.

Como você vê o fato de o seu time ter mais chance de chegar à semifinal do que o Palmeiras? O Prudente tem melhor time?

Nosso momento é praticamente igual ao do Palmeiras no campeonato, mas não dá para comparar os dois clubes. O Palmeiras tem toda uma história...

Você gostaria de treinar o Palmeiras no futuro?

Eu quero ser um treinador do mais alto nível no Brasil e vou querer trabalhar em grandes clubes. Se a diretoria do Palmeiras achar que tenho capacidade, ficarei feliz. Mas não é uma obsessão, um objetivo de vida.

A sua saída do Palmeiras nunca foi bem explicada. Você deixou o clube decepcionado?

Não saí chateado porque pedi demissão. Mas houve um desgaste injusto, as responsabilidades de 2009 foram mal distribuídas: para mim e para o Gilberto Cipullo (vice-presidente). Eu trabalhava 24 horas por dia, não via tanto meu filho, vivi o Palmeiras sem um dia de férias. Fizemos um bom trabalho.

Quem mais deveria levar a culpa do fracasso?

Eu sou leal ao Palmeiras e não vou falar nomes. Mas eu fiz um dos melhores trabalhos nesses três anos e posso dizer que o Palmeiras é um dos melhores clubes para trabalhar. E o time que esta aí é um dos melhores do País. Mas sempre tem alguém que não gosta do trabalho.

Se o planejamento foi o correto, por que o resultado não apareceu?

O planejamento foi mesmo um dos melhores, mas aí apareceram problemas internos. Não tenho de falar sobre isso, fiz um relatório em dezembro contando tudo para quem devia. Só posso dizer que o trabalho de um dirigente não é reconhecido jamais. O do treinador é.

Voltando ao Prudente, ainda há chances de chegar à próxima fase do Estadual?

Vamos ter de vencer todos os jogos. No domingo, há o confronto entre Corinthians e São Paulo e um deles vai perder pontos. A classificação está mudando a cada rodada, mas a vitória sobre o Corinthians (2 a 0) nos deixou mais fortes na briga.

E o que é preciso para ser um técnico diferenciado, como você mesmo diz? Ganhar tudo?

Ser campeão é o ápice, mas a médio prazo é preciso fazer campanhas consistentes em equipes diferentes. Tenho de construir uma marca de gestão e montar sempre equipes organizadas.

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