Problemas podem ser corrigidos. Mas não ofuscaram o GP

Análise:

Wilson Baldini Jr., O Estadao de S.Paulo

15 de março de 2010 | 00h00

Ultrapassagens, grandes retas, curvas sinuosas, acidentes, sol, chuva, paralisação, não poderia ter sido melhor a estreia do circuito do Anhembi na Indy. Só faltou, para nós brasileiros, um piloto nacional no lugar mais alto do pódio. A criação de uma pista em quatro meses foi um feito incrível. Os mais pessimistas podem apontar uma série de problemas, que realmente existiram. Mas é o preço que se paga pelo ineditismo de grandes eventos.

O grande erro, talvez, foi não ter ocorrido uma análise mais profunda da pista. A ponto de todos serem surpreendidos no sábado durante o primeiro treino livre, quando os carros pareciam "sambar" após deixar a super reta da Marginal e entrar no sambódromo. O concreto se transformou em um sabão para os bólidos e vários deles acabaram se chocando com o muro.

A reforma feita na madrugada de domingo resolveu o problema, a ponto de os carros percorrerem os 4.180 metros da pista com um tempo quatro segundos mais rápido. Por que ninguém testou o sambódromo antes? Fácil falar depois do acontecido? Ninguém levantou a lebre antes de sábado pela manhã. Aí surgem os entendidos de automobilismo. Os mesmos que falam de boca de fogão a turbina de avião. Em 2011, que tal encaixar a prova brasileira em um mês mais distante do carnaval? Aí se pode preparar a reta do sambódromo de forma correta.

E este não foi o único problema. Outro ponto a ser corrigido. Ao mesmo tempo em que o clima da Indy é mais descontraído que o da Fórmula 1 - a ponto de o fã poder ficar ao lado dos carros nos boxes durante os treinos livres e abusar das máquinas fotográficas - ele também parece mais relaxado. Diferente do "sistema militar da F-1". Na imensidão do Anhembi, foi difícil encontrar o local certo para torcer ou trabalhar. Tudo por causa da pouca sinalização. Algo fácil de se corrigir.

O circuito de Interlagos só resolveu seu problema de ondulação ano passado, após 30 anos de disputa. Daqui a três décadas como será a São Paulo Indy 300?

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