Procura-se ídolo para os pesos pesados

Categoria carece de um grande pugilista e vive crise

Wilson Baldini Jr., O Estadao de S.Paulo

25 de outubro de 2008 | 00h00

Não adianta o filipino peso leve Manny Pacquiao travar combates sangrentos contra uma legião de mexicanos, o venezuelano Edwin Valero massacrar seus rivais e permanecer invicto por 24 lutas entre os superpenas ou o médio alemão Felix Sturm mostrar uma colocação de golpes cirúrgica. O público quer ver grandes duelos entre os pesos pesados. E, atualmente, os amantes da nobre arte se sentem órfãos. Desde o fim da geração de Mike Tyson, Evander Holyfield e Lennox Lewis, que a principal categoria do pugilismo deixou de ser uma atração. Nomes como os do russo Nicolay Valuev, dono do cinturão da Associação Mundial de Boxe, e os irmãos Wladimir e Vitali Klitschko, respectivamente campeões da Federação Internacional e do Conselho Mundial de Boxe, não entusiasmam ninguém. Suas lutas, repletas de clinches (agarrões) e golpes lentos e previsíveis, dão sono e não são fiéis aos seus cartéis. Valuev soma 49 vitórias (32 nocautes) e apenas uma derrota. Wladimir tem 51 vitórias (45 nocautes) e só três derrotas. Vitali acumula 36 vitórias (35 nocautes) e apenas duas derrotas. Mas o nível dos rivais é o mais baixo de todos os tempos.Vitali Klitschko voltou aos ringues dia 11, após quatro anos afastado por causa de cirurgia na coluna e no joelho. Aos 37 anos, não teve dificuldades para acertar um jab (golpe preparatório) atrás do outro no rosto imóvel do gorducho nigeriano Samuel Peter. Resultado: cada vez mais as lutas destes pugilistas se afastam dos Estados Unidos, maior centro do boxe internacional. Uma opção parece ser um confronto entre os irmãos Vitali e Wladimir. Detalhe: os dois prometeram a sua mãe que jamais iriam se enfrentar. Outra alternativa seria colocar o grandalhão Valuev, de 2,13 metros e 150 quilos, contra o veteraníssimo Evander Holyfield, de 46 anos. Além de dar um alento à categoria, o combate serviria para Holyfield pagar a pensão alimentícia de seus nove filhos.Os cassinos de Las Vegas, acostumados a pagar fortunas, não podem nem ouvir falar dos atuais pesos pesados. Preferem apostar nos mais "leves". Oscar De La Hoya encerra sua gloriosa carreira em 6 de dezembro no MGM Hotel diante de Manny Pacquiao. Sua bolsa será de US$ 30 milhões (R$ 60,9 milhões), afinal os 17 mil ingressos já estão vendidos há mais de um mês.

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