Imagem Antero Greco
Colunista
Antero Greco
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Procura-se um time

Luiz Felipe Scolari afirmou, na primeira entrevista como técnico da seleção, que havia pouco tempo para definições. Duas apresentações depois, e sem vencer, o treinador pentacampeão do mundo deve ter mais pontos de interrogação do que certezas. O Brasil está muito longe do ideal, como se viu nos 2 a 1 para a Inglaterra e nos 2 a 2 de ontem com a Itália - e o calendário joga contra. Antes da Copa das Confederações, conta apenas o jogo de segunda-feira com a Rússia. Os amistosos de abril, diante de Bolívia e Chile, serão desperdício de energia.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2013 | 02h07

No clássico na noite fria de Genebra, Felipão preocupou-se em proteger o sistema defensivo, em sua avaliação setor vulnerável no choque com os britânicos. Por isso, optou por Fernando e Hernanes, como marcadores, independentemente da contusão de Paulinho e Ramires, fora de combate. De quebra, colocou Hulk a servir mais de couraça no meio-campo do que a agir como atacante. Imaginou, assim, que menos bolas adversárias chegariam à área nacional.

Meia verdade, ou estratégia que se sustentou no primeiro tempo. A marcação funcionou mezzo alice, mezzo muzzarella e a Azzurra só não abriu vantagem por três defesas de reflexo e categoria de Júlio César. E, em parte, porque Fernando exerceu com aplicação a função de zelar pela zaga (com ajuda de Hernanes). O volante do Grêmio teve desempenho menos vistoso na segunda etapa, como o resto do grupo, mas parece ter sido aprovado no teste. Os gols da reação italiana reforçaram a convicção de Felipão da utilidade da presença de um (ou mais) cão de guarda pra ficar de olho na porteira.

O Brasil foi prático na fase inicial, o que não é pecado. Criou menos do que os rivais tetracampeões, falhou na armação, porém não desperdiçou oportunidades que apareceram. Em ambas, Neymar teve participação decisiva. O santista até foi melhor do que em outras ocasiões, mas aquém da capacidade dele.

A supremacia amarelinha ruiu em 11 minutos. Bastou a Itália recompor-se dos gols para mostrar qualidades e expor as deficiências brasileiras. A turma de Cesare Prandelli dominou o meio, apertou o ritmo, anulou a diferença no placar e esteve perto da virada, que só não se concretizou por outra saída impecável de Júlio César quase aos pés de Balotelli. Sufoco. Demorou uma eternidade para o reequilíbrio, que para alívio patrício veio com o festival de alterações, no momento em que esse tipo de partida se torna confraternização e no qual o gol pode surgir por obra do acaso.

Felipão tem quebra-cabeças para montar a toque de caixa e não duvido na possibilidade de mudança de esquema contra os russos, quem sabe com três zagueiros - Thiago Silva ficou no banco e deve jogar. E com dois volantes, pela ótica dele. Os treinos dos próximos dias apontarão o rumo.

Não tenho a mínima ideia das anotações do técnico, segredo de estado que ele talvez divida só com Murtosa e Parreira. No entanto, não é exagero supor que esteja satisfeito com Júlio César, Fernando, David Luiz, Neymar, Fred. E, vá lá, com Daniel Alves, na falta de alternativas para o setor.

Dante está sob observação na zaga, e na lateral esquerda Filipe Luís pode ceder o lugar a Marcelo, o titular anterior. O meio-campo está com vagas abertas, para outro volante e um meia de criação. Oscar larga em leve vantagem, Kaká apareceu pouco, mas poderia ter atuado com Oscar. Diego Costa mal pegou na bola; seria injusto fazer qualquer avaliação dele.

Certo é que o Brasil procura um time, com urgência. A contagem regressiva para o Mundial acelera...

Tudo o que sabemos sobre:
Antero Greco

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.