Procurando encaixe

Se fosse qualquer outro Grande Prêmio, certamente o Bahrein ficaria definitivamente fora do calendário deste ano. Mas por tudo o que já foi dito aqui na semana passada do GP que abriu as portas do mundo árabe para a F-1 e foi sempre um exemplo de organização nas sete edições já realizadas desde 2004, Bernie Ecclestone e a FIA farão de tudo para conseguir um encaixe no calendário. Qualquer alteração na data de uma corrida para possibilitar este encaixe envolve problemas sérios, incluindo a venda antecipada de ingressos.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2011 | 00h00

Até mesmo o GP do Brasil, que é o último do ano, já abriu a venda de ingressos há algum tempo e, em boa parte, incluída em um pacote turístico que leva a São Paulo gente de todas as partes do mundo. Imagine a Espanha, que desde a ascensão de Alonso, costuma iniciar no fim de semana do GP de Barcelona o lançamento da venda de ingressos para a corrida do ano seguinte. É tão complicado achar uma outra data que o cancelamento da corrida de abertura do Mundial no dia 13 de março não partiu nem da FOM nem da FIA. Foi o próprio príncipe herdeiro bareinita, Salman Bin Hamad Al-Khalifa, idealizador da corrida sete anos atrás, quem solicitou a medida a Bernie Ecclestone depois de ver os tumultos aumentarem a cada dia no Bahrein.

Desta forma, o campeonato mais longo da história da F-1 já teve a sua primeira complicação antes mesmo de as luzes se apagarem para a primeira largada do ano. Aparentemente quem mais perde com isso, sob o ponto de vista técnico, são a Ferrari e a Red Bull, as equipes mais prontas para o campeonato. As outras ganham um tempo maior de preparação porque não tendo que mandar seus equipamentos para o autódromo de Sakhir, onde seria realizada a última sessão de testes de 3 a 6 de março, elas podem trabalhar melhor seus carros. Não é animador a gente ver carros que deveriam dividir a ponta com Ferrari e Red Bull, estarem ainda tão longe do ideal às vésperas da abertura do campeonato. Pelo menos da McLaren e da Mercedes-Benz era de esperar muito mais. Some-se a elas a Renault, se pudesse contar com o grande Kubica.

Não se trata de blefe de pré-temporada um Lewis Hamilton lamentar que o ritmo de simulação de corrida da McLaren esteja 1,5 segundo atrás do ritmo de Ferrari e Red Bull. E muito menos o homem forte de competições da Mercedes-Benz, Norbert Haug, estimar que se o campeonato começasse hoje, os carros de Schumacher e Rosberg não estariam em condições de largar entre os dez primeiros. Habitualmente os carros de equipes financeiramente sólidas podem até mudar bastante mesmo depois que começa o Mundial. O melhor exemplo disso é a Ferrari de 2010, que, exceto a zebra da primeira corrida no Bahrein, não tinha carro para acompanhar o ritmo da McLaren e Red Bull, mas antes da metade do ano já estava na briga pelo título. A própria McLaren teve bons e maus momentos na evolução de seus carros e a Red Bull, mesmo tendo sempre o melhor carro, sofreu muitas quebras no início da temporada.

O essencial é não perder muito tempo para começar a recuperação. E se for mesmo só isso o que McLaren e Mercedes têm no momento, sabe-se lá quando é que elas poderão conseguir uma virada. O campeonato é longo, mas se o tempo de produzir um carro novo não foi bem aproveitado, qual a mágica para se conseguir um salto de qualidade quando as corridas estiverem rolando?

Enquanto grandes equipes patinam com seus projetos malsucedidos, a gente vê uma Toro Rosso chamando a atenção em vários treinos. Não foi por um dia de sorte que o espanhol Jaime Alguersuari tornou-se o segundo mais veloz de um dos treinos de Barcelona, apenas dois décimos atrás do campeão mundial Sebastian Vettel. No treino anterior ele já tinha sido terceiro e, depois disso, o suíço Sebastian Buemi repetiu este terceiro tempo. Não é à toa que a imprensa suíça, de uma pequena história na F-1 construída por Jo Siffert nos anos 60 e Clay Regazzoni nos anos 70, anda exaltando os feitos do que eles chamam de "carro maravilha".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.