Daniel Smorigo/ WSL
Daniel Smorigo/ WSL

Profissionais dão 'voz' ao surfe na praia e nas transmissões pelo mundo

Eles revezam funções para informar os surfistas, entreter o público e garantir que os resultados sejam divulgados

Andreza Galdeano, enviada especial a Fernando de Noronha, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2020 | 04h30

Durante os campeonatos de surfe, um dos trabalhos mais importantes acontece fora do mar. Na locução e na transmissão dos eventos, profissionais revezam funções para informar os surfistas, entreter o público e garantir que os resultados sejam divulgados para o mundo inteiro.

Em Fernando de Noronha, durante o Oi Hang Loose Pro, etapa da divisão de acesso do Circuito Mundial, esse trabalho é feito por Marcos Bukão, diretor de provas da Associação Internacional de Surfe (ISA), Paulo Issa e Rick Lopes, locutores da Liga Mundial de Surfe (WSL), e Renan Rocha, ex-surfista e atual comentarista e apresentador dos canais ESPN. Cada um deles tem uma função primordial.

Na locução de praia está Bukão. Ele é o responsável por passar informações para os atletas que estão no mar e o público que acompanha a etapa na praia. "O locutor de praia passou a ser essencial em um campeonato, porque hoje o surfe tem um formato que o atleta precisa ser informado do passo a passo de cada bateria", explica, também ressaltando a importância da imparcialidade nesta função.

"Não somos comentaristas, então não podemos adjetivar uma onda, tem de ser extremamente imparcial para não desestabilizar os atletas", diz Bukão. "Imagina se o surfista está na bateria e acaba ouvindo que o seu adversário pegou uma onda fantástica?", argumenta. Para a equipe, o maior desafio da locução de praia é conseguir passar emoção sem demonstrar que estão dando preferência para algum surfista.

Já na locução da web, o trabalho é transmitir as informações para quem não está vendo o campeonato in loco. As pessoas que estão na praia não podem ouvir eles. Rick Lopes e Paulo Issa são os responsáveis pela função em Fernando de Noronha. Em uma sala reservada, eles acompanham a transmissão por meio de um equipamento e conseguem interagir com fãs espalhados pelo mundo.

Para completar o time está o ex-surfista Renan Rocha. Ele disputou etapas do Circuito Mundial de Surfe durante 15 anos e hoje tem a missão de entrevistar os atletas após as baterias, assim como um repórter de campo. "Fazer esse trabalho é fundamental. A gente acaba conhecendo esses novos atletas e conseguimos saber o que eles estão pensando, como o surfe está crescendo e se desenvolvendo", afirma. "É fundamental o nosso time sempre jogar nessa parceria. Muitas vezes eu estou na praia e o pessoal que está na locução precisando passar as informações e vice e versa, então é importante ter sincronia para passar as informações corretas para quem está na praia e também quem acompanha a transmissão. A conexão entre nós é natural", complementa.

"Eu sempre falo que um campeonato de surfe é como um festival de música, quando chega no último dia vai tocar a última banda, o campeonato está pronto, todos afinados e... Acabou", brinca Renan Rocha, que faz parceria com o videomaker Alexandro Costa. "Eu trabalho como cinegrafista de praia, então estou por dentro dos bastidores. Todos dizem que eu sou 'casca grossa' por aguentar passar horas debaixo de sol e chuva", conta Alexandro. "Trabalhar com o Renan é sinônimo de alto astral. Ele consegue empolgar os atletas e a equipe inteira".

Paulo Issa, que trabalha com locução há 23 anos e também é funcionário público, reforça a conexão entre eles. "O trabalho em conjunto é de grande importância para todos nós. Quando um tem uma informação que o outro não conseguiu, ajudamos. O nosso trabalho não é feito sozinho ou em dupla, somos um time".

Apaixonado por música, Paulo é quem escolhe a trilha sonora do campeonato. "Eu monto uma playlist com as músicas que as pessoas vão ouvir na praia. Sempre procuro variar os estilos para agradar a maioria do público", diz.

Todos os profissionais acabam se alternando nas funções para conseguir encarar as baterias ao longo do dia. A maioria deles demonstra paixão pelo esporte e ainda se arrisca pegando algumas ondas no final do expediente.

Para Rick Lopes, locutor desde 1998, unir a paixão com o trabalho é sinônimo de sucesso. "O importante é você gostar do que faz, porque quando você é apaixonado o trabalho passa a ser divertido e tudo fica mais leve. Assim, conseguimos lidar melhor com as dificuldades e garantir um bom desempenho", afirma.

*A repórter viajou a convite da organização do evento

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