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Programa divertido

Sei que dar conselho sem que tenha sido pedido soa como presunção. E muitas vezes é mesmo. Então, fica só como sugestão. Se você estiver a fim de aproveitar a tarde de domingo para ver um jogo no estádio, dê um pulo no Pacaembu e acompanhe Lusa x Santos. Um programa que vale a pena.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2015 | 02h03

Pra início de conversa, atrai pelo palco. Com a lindeza dos monumentos erguidos por Palmeiras e Corinthians, e com a imponência do Morumbi, escorre charme dos traços clássicos do Pacaembu. Ainda por bom tempo, fará parte do imaginário popular como templo da bola.

O passeio pode ser agradável também porque não será jogo para casa cheia. E isso, teoricamente, dará mais conforto e sossego ao público. Há risco menor para a meninada que começa a gostar de futebol ao vivo e não só pela tevê ou playstation. Mesmo como mandante, a Lusa levará menos torcedores do que o Santos. Infelizmente.

O apelo técnico não é lá essas coisas, concordo. A Lusa anda mal das pernas - e isso não vem de agora. Coisa antiga, que se arrasta e a faz afundar, ao menos no plano nacional. O Santos se recompõe, depois de início de ano conturbado com a saída de vários jogadores, ou por propostas interessantes de outras equipes ou por ruptura com o clube por causa de salário. Sem alarde, o técnico Enderson Moreira reconstrói uma equipe que pode dar samba, no mínimo no Campeonato Paulista.

Santos x Lusa não desperta comoção nacional, nem preciso repetir. Mas houve ocasiões em que os dois fizeram duelos memoráveis. O mais famoso a decisão do Paulista de 1973, aquele em que Armando Marques se confundiu nas cobranças dos pênaltis, encerrou antes da hora e proclamou o Santos campeão. Como faltavam dois pênaltis para cada lado (o Santos vencia por 2 a 0), a FPF voltou atrás e dividiu a coroa entre os finalistas. Última vez em que a Lusa ganhou o Estadual.

Naquele mesmo ano, se reencontraram no Brasileirão para o tira-teima. A Lusa abriu 2 a 0 de vantagem, cutucou o Santos, que reagiu e venceu por 3 a 2. Muitos anos depois, em maio de 1993, a Portuguesa deu surra de 4 a 2 no Santos, no Canindé, de virada, com um gol antológico do falecido Dener. Em 2002, outra vitória lusitana - 2 a 1, num Santos que tinha Robinho como estrela em ascensão. Alegria passageira, pois em seguida veio o descenso.

A Lusa atual se contenta com o papel de coadjuvante, e olhe lá. Nessa condição, pode surpreender o Santos. Daí a graça do desafio e também o convite inicial para você deixar o sofá e dar uma esticada ao Pacaembu. Vai lá.

Repouso. Tite animou-se com o rodízio - de jogadores, não esse da água, risco que ainda paira sobre a gente como nuvem vazia (carregada seria ótimo). O treinador decidiu dar descanso, na visita dominical ao Ituano, para alguns jogadores exigidos com rigor no clássico com o São Paulo, pela Libertadores. Dessa maneira, pretende dosar forças para o torneio continental e o doméstico. Está com jeito de que pretende ir longe em ambos os casos. Muito bem.

Fila de espera. Oswaldo de Oliveira manda recado claro para Arouca e Valdivia, em tese dois dos destaques do enorme elenco que tem à disposição no Palmeiras. Precisam afinar a condição física, se quiserem vaga na equipe. Isso significa que estão fora da escalação inicial contra o Penapolense, na noite deste domingo. Com tal decisão, o técnico passa confiança aos demais jogadores, que veem o esforço recompensado.

"Juiz ladrão." A crônica de hoje estava pronta. Como tenho o saudável hábito de ler a coluna de Ugo Giorgetti em primeira mão, antes de fechar meu material fui dar uma olhada no que tinha escrito o amigo. Na mosca! Assim como eu, Ugo absolve Ganso pelas críticas ao juiz do clássico com o Corinthians. Com a elegância de sempre. Não tinha sentido eu abordar o tema, pois perderia de goleada. Mudei o texto. Ufa, amém.

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