Kamran Jebreili/AP
Kamran Jebreili/AP

Proibida de competir entre as mulheres, Semenya recorre à Suprema Corte da Suíça

Sul-africana teria de tomar medicamentos para reduzir os seus níveis de testosterona

Redação, Estadão Conteúdo

29 de maio de 2019 | 15h58

Pivô de uma grande polêmica nos últimos meses, a sul-africana Caster Semenya, de 28 anos, ainda está dando o que falar no mundo esportivo. Nesta quarta-feira, quase um mês depois de perder um recurso na Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês), que manteve o entendimento da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) de que mulheres com níveis elevados de testosterona não poderão participar das disputas de 400 a 1.500 metros, a atleta anunciou que irá recorrer da decisão no Tribunal Federal da Suíça, a Suprema Corte suíça.

"Eu sou uma mulher e uma atleta de nível mundial. A IAAF não vai me drogar ou me fazer parar de ser quem eu sou", afirmou Semenya em uma comunicado oficial emitido nesta quarta-feira pelos seus advogados.

Em sua decisão anunciada no último dia 1.º, a CAS decidiu que é necessário criar um grupo de trabalho composto pelo diretor médico do COI, o britânico Richard Budgett, um representante da IAAF e especialistas do mundo da ciência e da ética e representantes dos atletas e das federações internacionais.

Dois dias depois, Semenya pode ter feito a sua despedida em competições oficiais no atletismo. A bicampeã olímpica dos 800 metros venceu a prova na etapa de Doha, no Catar, que abriu a temporada de 2019 da Diamond League.

Para provas de meia distância, ficou estabelecido um limite de 5 nanomols de testosterona por litro de sangue. Mas Semenya, por uma condição endócrina chamada hiperandrogenismo, produz naturalmente o hormônio em excesso. Ela deverá tomar medicamentos para reduzir os seus níveis de testosterona se quiser competir entre as mulheres.

Até o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o alemão Thomas Bach, comentou sobre o assunto. "Os experts vão estudar este problema muito delicado e complicado. É um caso que devemos levar em conta as federações internacionais, são suas regras que estão em jogo, suas regras técnicas. Às vezes, entre os experts do mundo médico, como entre os advogados, há discussões muito complicadas. Por isso não sei quando o grupo de trabalho terá suas conclusões", disse.

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